O protagonismo de mulheres que deixaram seus locais de origem em busca de novas oportunidades no Paraná foi o centro das atenções nesta terça-feira (31), em Curitiba. O evento “Florescer: Vozes de Mulheres Migrantes – Mulheres migrantes são como girassóis”, realizado pela Superintendência-Geral de Governança Migratória, vinculada à Secretaria da Justiça e Cidadania (Seju), trouxe à tona histórias de resiliência, empreendedorismo e integração.
Segundo dados do Observatório de Migração (OBMigra), há no estado 84.642 mulheres migrantes que chegaram desde 2010. O superintendente-geral de Governança Migratória, Gil Souza, destacou que o encontro simboliza um olhar diferenciado para essa população. “Esse evento é um demonstrativo de que a Agência do Migrante tem um olhar diferenciado para as mulheres migrantes, mas também para todas aquelas pessoas e aquelas mulheres que estão engajadas na pauta migratória em todo o Paraná”, afirmou.
Entre as participantes estava Carmen del Valle Menezes, de 40 anos, venezuelana que chegou ao Brasil em 2018 por Roraima e em 2020 conheceu o Paraná. Foi na costura que ela encontrou uma oportunidade de empreender e garantir renda para sustentar a família. “Nós, mulheres migrantes, somos talentosas, independentemente do país de origem. Não somos apenas mulheres que vieram de fora, mas pessoas com muitos projetos, ideias e vontade de contribuir. Chegamos para trabalhar, somar e também ajudar no desenvolvimento do país que nos acolhe”, ressaltou Carmen.
Outra história marcante é a de Sonise Donise Senat, de 23 anos, nascida no Haiti e que chegou ao Brasil aos 11 anos. Fluente em francês, português e crioulo haitiano, ela hoje é naturalizada brasileira, tem título de eleitor e está plenamente integrada à sociedade. “Quando você chega a um novo país, com uma cultura diferente, é natural se sentir perdida. E, sendo mulher, os desafios são ainda maiores, não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. Ser mulher hoje é resistência, é luta diária, é não abaixar a cabeça diante das dificuldades. É cair e se levantar quantas vezes for preciso”, refletiu Sonise.
Ela ainda acrescentou: “Por isso, celebrar o mês das mulheres, especialmente como migrante, é tão importante. É reconhecer a nossa força, lembrar que não devemos aceitar qualquer situação e que precisamos levantar a nossa voz sempre que for necessário.”
O evento contou com a parceria da Secretaria de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa (Semipi) e reuniu uma série de serviços voltados à população migrante. Entre eles, atendimentos da Defensoria Pública, com orientações jurídicas; o Sine Móvel, com oferta de vagas de emprego; e ações da Agência do Migrante, como apoio à regularização documental e encaminhamentos psicossociais.
Mariana de Sousa Machado Neris, diretora de Políticas Públicas para as Mulheres da Semipi e presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, enfatizou a importância do debate. “É uma oportunidade de celebrarmos as conquistas em relação aos direitos e de reforçarmos que todas as mulheres têm os mesmos direitos humanos, independentemente de terem nascido no Brasil ou não. Também estamos aqui para reconhecer a importância de um atendimento especializado e da escuta dessas mulheres, que deve se transformar em políticas públicas efetivas”, disse.
A diretora-geral da Seju, Fabiana Cristina de Campos Romanelli, também participou da abertura do evento, reforçando o compromisso do estado com a acolhida e a integração das mulheres migrantes. As histórias compartilhadas no encontro mostram que, como girassóis, essas mulheres buscam a luz de novas oportunidades e florescem mesmo em solo distante de suas raízes.

