A política brasileira perdeu, no último domingo (18), uma de suas figuras mais experientes e respeitadas. Raul Jungmann, que tinha 73 anos, faleceu vítima de um câncer no pâncreas, após mais de cinco décadas de atuação pública. Sua trajetória, que começou como vereador e passou por cargos de deputado federal e ministro em governos de diferentes espectros políticos, gerou uma onda de manifestações de pesar e reconhecimento por parte de colegas e adversários.

Jungmann estava à frente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) no momento de sua morte. O velório foi marcado para esta segunda-feira (19), de forma restrita a parentes e amigos próximos, na capela do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

Uma carreira marcada pela diversidade de funções

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Nascido em 1951, Raul Jungmann construiu uma carreira política plural. Militante desde a juventude, participou da luta pelas Diretas Já e foi membro do PCB, antes de se tornar um dos fundadores do PPS, partido que mais tarde daria origem ao Cidadania. No Executivo, foi ministro do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), e assumiu a pasta da Defesa e Segurança Pública durante a gestão de Michel Temer.

Homenagens de ex-presidentes a ministros do STF

O ex-presidente Michel Temer, que teve Jungmann como um de seus ministros, foi um dos primeiros a se manifestar. Em nota, destacou: "Um brasileiro que soube servir ao país. Por onde passou deixou sua marca. Fosse como ministro da Reforma Agrária, ministro da Defesa e Segurança Pública, fosse como grande parlamentar. Tristeza no plano cívico, saudades no plano pessoal. Descanse em paz, Raul!".

Do atual governo, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, também prestou sua homenagem. Em publicação nas redes sociais, lembrou a longa trajetória de Jungmann e sua participação, "com generosidade e espírito democrático", no conselho de ex-ministros da pasta.

O Supremo Tribunal Federal (STF) se fez representar nas homenagens pelos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Gilmar Mendes publicou um longo texto, no qual chamou Jungmann de "homem público de rara integridade" e lembrou a amizade entre os dois. "A partida de Raul Jungmann me atinge de forma especialmente dolorosa. Perco um amigo querido, cuja presença sempre inspirou confiança e serenidade", escreveu.

Alexandre de Moraes, por sua vez, destacou a competência de Jungmann ao relembrar o trabalho conjunto durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. "Raul Jungmann, um grande democrata, foi exemplo de homem público, que exerceu diversos cargos, sempre com competência, lealdade e eficiência".

Reconhecimento transversal no Congresso e nos estados

No Legislativo, o senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso Nacional, classificou Jungmann como "um dos mais capacitados e éticos homens públicos que já conheci na vida". Em sua publicação, ressaltou o "legado, exemplo e a saudade entre todos que acreditam na boa política".

Entre os governadores, Marcelo Leite, do Rio Grande do Sul, lamentou a perda e destacou o "compromisso com o Brasil" e o "espírito republicano" que marcaram a atuação de Jungmann.

O partido e o legado de um homem de diálogo

O Cidadania, último partido ao qual Jungmann foi filiado, divulgou nota oficial assinada por seu presidente nacional, Roberto Freire. O texto relembra a trajetória do político desde a militância no PCB até sua relação próxima com a legenda, mesmo após a saída formal. "Sua partida deixa um vazio humano e político. Permanece o legado de coerência, espírito público e compromisso com a democracia", afirma a nota.

As diversas manifestações, vindas de figuras de diferentes posicionamentos ideológicos, pintam um retrato consistente de Raul Jungmann: um político formado na luta democrática, que transitou por várias siglas e funções mantendo, aos olhos de colegas e adversários, uma reputação de seriedade, competência e compromisso com o interesse público. Sua morte, além da dor pessoal para familiares e amigos, marca o fim de um capítulo da política brasileira, deixando como herança um exemplo raro de longevidade e respeito no cenário público nacional.