O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (22) a retomada de parte do processo da trama golpista contra o ex-deputado federal Alexandre Ramagem. A decisão ocorre após a cassação do mandato do parlamentar pela Câmara dos Deputados na última sexta-feira (19). Com a perda do foro privilegiado, Ramagem, que está foragido nos Estados Unidos e é alvo de pedido de extradição, voltará a responder por crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), já havia sido condenado a 16 anos de prisão na ação da trama golpista pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. No entanto, em função do mandato parlamentar, parte das acusações foi suspensa. O benefício, previsto na Constituição, aplicava-se a crimes ocorridos após a diplomação, em dezembro de 2022, incluindo dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União.

Com a cassação, o ex-parlamentar perdeu a proteção do foro privilegiado e agora responde integralmente pelos processos. A medida de Moraes marca formalmente essa retomada, reintegrando ao processo os crimes que estavam suspensos. Isso significa que Ramagem pode enfrentar novas condenações além da sentença já proferida.

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Para dar andamento ao caso, o ministro agendou uma audiência de instrução para o dia 5 de fevereiro de 2026. Na ocasião, serão ouvidas testemunhas arroladas tanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que atua como acusação, quanto pela defesa do ex-deputado. O evento judicial é um passo importante no desfecho legal da participação de Ramagem nos eventos golpistas.

A situação do ex-diretor da Abin se complica ainda mais com o pedido de extradição em curso. Enquanto aguarda decisões judiciais no Brasil e nos Estados Unidos, Ramagem permanece foragido. A cassação do mandato também impactou outros aspectos, como o cancelamento do passaporte diplomático, medida que atingiu igualmente o deputado Eduardo Bolsonaro.

O caso de Ramagem se insere em um conjunto mais amplo de investigações sobre a trama golpista, que inclui desde ações contra patrimônio público até a deterioração de bens tombados durante as invasões de 8 de janeiro. A retomada do processo reforça o entendimento do STF de que a perda do mandato remove obstáculos processuais, permitindo que a Justiça avance em todas as frentes de responsabilização.

Enquanto isso, outras notícias relacionadas ao tema continuam a surgir. A PGR, por exemplo, manifestou-se favorável à progressão de regime do hacker Walter Delgatti, envolvido em casos de interceptação ilegal. Já a Advocacia-Geral da União (AGU) move ação para cobrar R$ 135 milhões ligados a desvios no INSS, mostrando que as investigações sobre corrupção e atentados à democracia seguem em múltiplas frentes.