O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, manteve a prisão preventiva de Alan Diego dos Santos Rodrigues, condenado por tentar atacar o Aeroporto Internacional de Brasília em dezembro de 2022. A decisão, publicada nesta quarta-feira (31), reforça que o réu representa um risco concreto de cometer novos crimes se for solto.
Na Petição (Pet) 12445, Moraes explicou que Alan Diego fugiu de Brasília logo após o atentado frustrado e só foi preso em junho deste ano, em Mato Grosso, após intensa busca policial. "Há, portanto, fortes e graves indícios do risco concreto da reiteração delitiva e à aplicação de lei penal, em razão da fuga após a prática dos crimes", escreveu o magistrado.
O ministro destacou que não há fatos novos que justifiquem a soltura, afirmando: "Destaca-se a necessidade de resguardar a ordem pública e da instrução criminal, inexistindo qualquer fato superveniente que possa afastar a necessidade de manutenção da custódia cautelar". Esta já é a segunda vez que Moraes nega um pedido de liberdade feito pela defesa do condenado - o primeiro ocorreu em outubro.
Alan Diego está preso desde junho por decisão do ministro, após a Procuradoria Geral da República (PGR) apresentar denúncia contra ele e outras duas pessoas por crimes graves. As acusações incluem tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa armada.
O caso remonta ao Natal de 2022, quando Alan Diego instalou uma bomba no eixo de um caminhão-tanque estacionado próximo ao aeroporto da capital federal. Segundo os autos, ele confessou ter recebido o artefato explosivo no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, onde grupos defendiam um golpe de Estado.
Outros dois envolvidos no mesmo episódio são o blogueiro Wellington Macedo de Souza, condenado a 6 anos de prisão por planejar o atentado e dar carona a Alan no dia do ocorrido, e George Washington de Oliveira Sousa, que admitiu ter comprado o arsenal usado na tentativa de ataque, incluindo explosivos e munições.
Em maio de 2023, a 10ª Vara Federal do Distrito Federal já havia condenado Alan Diego e seus comparsas a cinco anos e quatro meses de prisão em regime fechado pelos crimes de explosão e incêndio. A investigação foi então encaminhada ao STF para análise de eventuais crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O caso ganhou novos contornos em dezembro de 2025, quando a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, tornar Alan Diego réu por crimes mais graves relacionados ao Estado Democrático de Direito, incluindo tentativa de golpe de Estado e associação criminosa armada, aceitando assim a denúncia da PGR.
A manutenção da prisão preventiva por Moraes reforça a posição do STF de que os envolvidos em ataques às instituições democráticas devem permanecer custodiados durante o processo, especialmente quando há evidências de risco de fuga ou reiteração criminosa. O caso continua sob análise da mais alta corte do país, que deverá definir o futuro processual dos acusados.

