O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (25) que a Justiça Militar e o Ministério Público Militar (MPM) sejam formalmente comunicados sobre a execução das condenações do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros militares das Forças Armadas envolvidos na ação penal da trama golpista. A medida marca um passo crucial no processo que pode levar à expulsão desses oficiais das fileiras militares.
Com a declaração de trânsito em julgado das condenações e as prisões já em curso dos acusados, o ex-presidente, que é capitão da reserva do Exército, junto com os generais Augusto Heleno, Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto e o almirante Almir Garnier, agora enfrentam a perspectiva de uma ação de perda do oficialato. Esses casos serão submetidos ao julgamento do Superior Tribunal Militar (STM), instância responsável por decisões dessa natureza no âmbito militar.
Em seu despacho, o ministro Moraes foi direto ao ponto: "Oficie-se à presidência do Superior Tribunal Militar e à Procuradoria Geral do Ministério Público Militar, nos termos do art. 142, parágrafo 3º, VI e VII, para decidir sobre a perda do posto e da patente de Jair Messias Bolsonaro". A citação refere-se a dispositivos constitucionais que tratam das competências das Forças Armadas e das sanções aplicáveis a seus integrantes.
De acordo com a Constituição Federal, um oficial das Forças Armadas pode ser expulso do serviço militar em casos de condenação criminal com pena superior a dois anos de prisão. Essa regra visa preservar a disciplina e a hierarquia, pilares fundamentais da instituição militar, assegurando que condutas criminosas graves não sejam toleradas entre seus membros.
Vale destacar que não há um prazo estabelecido para que o Ministério Público Militar formalize o pedido de perda das patentes perante o STM. Isso significa que o processo pode seguir seu curso de acordo com a dinâmica interna da Justiça Militar, sem pressa externa, mas com a expectativa de que as instâncias competentes atuem com a celeridade necessária.
Essa decisão do STF reforça a separação de poderes e a aplicação uniforme da lei, independentemente da posição ou patente dos envolvidos. Ao comunicar a Justiça Militar, o ministro Moraes assegura que as consequências legais das condenações sejam integralmente cumpridas, incluindo aspectos específicos do estatuto militar que regem a carreira dos acusados.
O desfecho desse processo no STM será acompanhado de perto pela sociedade brasileira, pois simboliza um marco na responsabilização de autoridades por supostos atos contra a ordem democrática. A perda de patente, se confirmada, representaria não apenas uma sanção administrativa, mas uma ruptura definitiva com a trajetória militar desses indivíduos, encerrando um capítulo polêmico na história recente do país.

