A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, foi a única representante do governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. Nesta quarta-feira (21), ela participou do painel "Superando o teto de crescimento da América Latina", que debateu as mudanças nas políticas econômicas da região e como superar a estagnação em torno de 2% ao ano.
Para a ministra, a integração latino-americana é o caminho fundamental para impulsionar o padrão de crescimento da região. "A América Latina é uma das regiões menos integradas do mundo. Do ponto de vista do potencial interno de crescimento, eu destacaria três frentes em que a integração regional é essencial: infraestrutura, integração produtiva, com cadeias regionais de valor mais articuladas, e integração de políticas sociais, que também poderia gerar ganhos relevantes de escala e eficiência", defendeu Dweck, segundo texto divulgado pelo MGI.
Durante sua participação, a ministra ressaltou o crescimento do Brasil nos últimos três anos e destacou a atuação diplomática do governo para reverter as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao país no ano passado. Ela reconheceu que alguns setores ainda sofrem os impactos da sobretaxa, mas enfatizou o papel importante do governo na reversão parcial dessas medidas.
Dweck também lembrou do papel do Brasil nas negociações do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado recentemente após 25 anos de discussões. Segundo ela, esse acordo representa um marco importante para a integração comercial da região com um dos maiores blocos econômicos do mundo.
A ministra caracterizou o atual mandato do presidente Lula como uma combinação dos governos anteriores de Lula e da ex-presidenta Dilma Rousseff. Ela destacou as mudanças fiscais implementadas no país, incluindo a reorganização do orçamento, a retomada da transferência de renda, a reforma tributária e a redução do déficit fiscal em mais de 70% em comparação com o início do governo.
"Do ponto de vista das estratégias de crescimento, é possível identificar cinco frentes principais. A primeira, sem dúvida, é a distribuição de renda e a redução das desigualdades como motor do crescimento. E isso não ocorreu apenas pelo lado do gasto público. O Brasil realizou algo que eu diria ser histórico: uma reforma tributária em um governo democrático, tanto do ponto de vista da tributação indireta, com a simplificação do sistema, quanto em relação ao imposto de renda", afirmou Esther Dweck durante sua apresentação.
O Fórum Econômico Mundial ocorre há 55 anos e reúne líderes políticos e dirigentes de empresas das principais economias mundiais. Neste ano, o tema do evento é "Um Espírito de Diálogo", com o objetivo de promover a cooperação entre líderes políticos, empresários e organizações internacionais. O encontro em Davos segue até sexta-feira (23) com debates sobre economia global, mudanças climáticas e inovação tecnológica.

