A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia revelou, nesta terça-feira (18), que foi comunicada sobre uma ameaça de bomba contra sua vida. A declaração foi feita durante uma palestra para estudantes de direito do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), onde a magistrada discursava sobre representação feminina e o enfrentamento da violência política de gênero.

"Vindo para cá, me comunicaram que mandaram uma bomba para me matar. Estou no meio de estudantes, eles viram meus advogados em dois minutos. Pior para quem mandar. Melhor não mandar. Não sei se é fato, mas estão me ligando. Eu estou vivíssima, cada vez mais", afirmou Cármen Lúcia, sem fornecer detalhes específicos sobre a origem ou a natureza da ameaça.

A ministra, que é uma das vozes mais ativas do STF na defesa dos direitos das mulheres, utilizou o episódio para reforçar sua mensagem sobre a necessidade de combater a violência de gênero no Brasil. Em seu discurso, ela destacou o alarmante aumento de assassinatos de mulheres no país e fez um apelo contundente: "Parem de nos matar, porque nós não vamos morrer. Nós, mulheres, decidimos que não vamos morrer, embora os homens tenham decidido que vão nos matar. Tentam nos matar de várias formas. Todas as manhãs há notícia de assassinato de mulheres".

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O relato da ministra ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança de autoridades públicas no Brasil, especialmente aquelas que se posicionam em temas sensíveis como direitos humanos e igualdade de gênero. Cármen Lúcia, que já foi presidente do STF entre 2016 e 2018, tem histórico de atuação em casos emblemáticos envolvendo violência contra a mulher e participação política feminina.

A palestra no UniCEUB faz parte de uma série de iniciativas da ministra para dialogar com jovens acadêmicos sobre os desafios do direito e da justiça no país. Apesar da gravidade da ameaça relatada, Cármen Lúcia manteve o tom firme e otimista, enfatizando sua determinação em continuar trabalhando. "Estou vivíssima, cada vez mais", repetiu, em uma mensagem que ecoou entre os estudantes presentes.

O caso deve acionar protocolos de segurança do STF e das forças policiais, embora até o momento não haja informações oficiais sobre investigações em andamento. A revelação pública da ameaça por parte da ministra chama a atenção para os riscos enfrentados por mulheres em posições de poder, um tema que tem ganhado destaque em debates sobre violência política de gênero no Brasil e no mundo.

Enquanto isso, outras notícias do STF seguem em pauta, como a decisão do ministro Luiz Fux que suspendeu regras da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para a eleição indireta do governo do estado, o parecer contrário da Advocacia-Geral da União (AGU) à flexibilização do estupro de vulnerável e a declaração do ministro Gilmar Mendes sobre as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que, segundo ele, "acabam com a desordem normativa".