Milhares de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos neste sábado (28) em protestos massivos contra as políticas do presidente Donald Trump. A manifestação, batizada de No Kings (Sem Reis, em tradução livre), prometia se tornar o maior protesto de um único dia na história do país, com mais de 3,2 mil eventos planejados em todos os 50 estados e diversas cidades internacionais.

De acordo com a agência de notícias Reuters, os organizadores esperavam a participação de mais de 9 milhões de pessoas, embora números oficiais ainda não tenham sido divulgados. As mobilizações ocorrem em um momento delicado para Trump, cuja taxa de aprovação caiu para 36%, seu ponto mais baixo desde o retorno à Casa Branca.

Os protestos se espalharam por grandes centros urbanos como Nova York, Washington, Atlanta, Chicago, Houston, Denver e São Francisco. Em Minneapolis, o cantor Bruce Springsteen, crítico aberto do presidente, reuniu uma multidão em um estádio onde performou a música Streets of Minneapolis, composta durante protestos anteriores contra a atuação do ICE (polícia de imigração).

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As pautas principais incluíram fortes críticas à política migratória do governo Trump e à participação dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Os organizadores disseram que os eventos representam um apelo à ação contra o bombardeio do Irã por EUA e Israel, conflito que já dura quatro semanas.

Em Manhattan, milhares se reuniram e ouviram declarações contundentes. O ator Robert De Niro, um dos organizadores, afirmou que "houve outros presidentes que testaram os limites constitucionais de seu poder, mas nenhum representou uma ameaça existencial tão grande às nossas liberdades e segurança".

Os protestos ocorrem em um contexto eleitoral significativo: no final deste ano acontecem as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, quando todos os deputados e parte dos senadores são renovados. Os organizadores relatam um aumento no número de eventos anti-Trump e de pessoas se inscrevendo para votar em estados tradicionalmente republicanos como Idaho, Wyoming, Montana e Utah.

A resposta republicana veio através do porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Congresso, Mike Marinella, que criticou políticos democratas por apoiarem os protestos. Em comunicado, ele afirmou: "Esses comícios contra a América são onde as fantasias mais violentas e delirantes da extrema esquerda encontram um microfone e os democratas da Câmara recebem suas ordens".

O movimento No Kings teve sua primeira mobilização em junho do ano passado, atraindo entre 4 e 6 milhões de pessoas em aproximadamente 2,1 mil locais. A segunda manifestação ocorreu em outubro, com cerca de 7 milhões de participantes em mais de 2,7 mil locais. Os protestos deste sábado representam a terceira e potencialmente maior onda do movimento.

Enquanto manifestantes como Christine Hughes, de 79 anos, seguravam cartazes em Nova York, e Sam Scarcello protestava próximo ao Capitólio em Washington, as imagens das mobilizações circularam mundialmente, destacando a profundidade da divisão política nos Estados Unidos às vésperas de importantes eleições legislativas.