O México dará um passo histórico na próxima segunda-feira (13) com o início da implantação do Serviço Universal de Saúde, um sistema inspirado no modelo brasileiro do Sistema Único de Saúde (SUS). A primeira fase do programa, que se estenderá até 30 de abril, focará no cadastramento de usuários com mais de 85 anos de idade e seus acompanhantes ou cuidadores, marcando o início de uma transformação profunda no atendimento à população mexicana.
Segundo informações do governo, o novo sistema priorizará a unificação de bases de dados dos pacientes das diferentes redes de saúde existentes no país. Essa integração permitirá que profissionais de saúde visualizem prontuários já cadastrados, evitando que atendam pacientes sem informações médicas prévias. "A ideia é disponibilizar um aplicativo digital que centralize, inclusive, resultados de exames laboratoriais", explicam as autoridades.
O serviço receberá investimentos significativos para garantir remessas regulares de medicamentos e o amplo funcionamento de unidades de atendimento e salas de cirurgia. As áreas prioritárias definidas pelo governo incluem atendimento emergencial, gravidez de alto risco, infartos, doenças do cérebro, câncer de mama, consultas preventivas, quadros graves, nutrição, exercícios físicos e saúde mental, além de tratamentos contínuos.
Para o primeiro grupo de usuários, o documento de identificação atrelado ao sistema será entregue seis semanas após o registro. A emissão ficará a cargo da Secretaria de Bem-Estar, e o novo documento substituirá os expedidos pelas instituições que atuam na área da saúde no país, como o Instituto Seguridade Social Mexicana (IMSS), o Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) e o Petróleos Mexicanos (Pemex).
Atualmente, o sistema de saúde mexicano é fragmentado: trabalhadores formais são atendidos por organizações de seguridade social financiadas por governo, empregadores e funcionários, enquanto trabalhadores autônomos, desempregados e pessoas fora do mercado formal dependem da Secretaria de Saúde (SSa), dos Serviços Estaduais de Saúde (Sesa) e do Programa IMSS-Oportunidades (IMSS-O). Há ainda uma parcela da população contemplada por planos de saúde privados.
Nesta fase inicial, o credenciamento será realizado em 24 dos 31 estados mexicanos, com equipes percorrendo 47 municípios, incluindo as 16 demarcações territoriais que compõem a Cidade do México. A expectativa é atingir 2 milhões de pessoas em 2.059 módulos de cadastro. O governo disponibilizará 2 mil centros médicos, considerados suficientes para atender às demandas das capitais nesta primeira fase e de outras localidades futuramente.
"Vamos continuar informando todas as semanas, para que as pessoas saibam onde estão os módulos e como vai o cadastramento. É o melhor modelo que podemos seguir para garantir o acesso à saúde", afirmou a presidenta Claudia Sheinbaum Pardo, que anunciou o programa no início da semana. A Secretaria de Bem-Estar ficará responsável por divulgar o calendário com os cadastros dos demais grupos populacionais.
Dados da Organização Panamericana de Saúde (Opas) mostram que o México tem hoje 128 milhões de habitantes, com maioria de mulheres. A população cresceu 31% entre 2000 e 2023. Os mexicanos têm em média 9,7 anos de estudo e expectativa de vida de 75 anos. A proporção de habitantes com acesso à internet é de 72%, um dado relevante considerando a digitalização do novo sistema de saúde. Em 2020, a razão de dentistas era de 0,11 para cada 10 mil pessoas, enquanto a de médicos era de 26,09 em 2021.
Para 2028, o governo planeja dar ênfase ao intercâmbio de serviços como abastecimento de remédios, consultas com médicos especialistas e atenção primária para pacientes com doenças crônico-degenerativas, como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide. A implantação completa do sistema representa um desafio logístico e administrativo considerável, mas que promete revolucionar o acesso à saúde no país.

