A Meta anunciou nesta terça-feira uma grande reformulação do aplicativo Facebook, reposicionando a plataforma como um espaço voltado para conexões sociais e destacando funcionalidades que ainda funcionam bem, como o Facebook Marketplace. As mudanças ocorrem dias após notícias de cortes significativos nos investimentos em metaverso, que antes do boom da IA era a grande aposta da empresa para o futuro das redes sociais. Enquanto isso, o Facebook continua alcançando bilhões de usuários, embora seu crescimento esteja estagnado em mercados-chave como os EUA, com uma base envelhecida que levou a Meta a buscar reconquistar o público mais jovem.
Depois de tentativas fracassadas de reposicionar o Facebook como um aplicativo para universitários, a empresa tem trabalhado em uma "reforma para a Geração Z". O que tem ressoado entre os jovens, no entanto, é o Marketplace: segundo um relatório da eMarketer de 2025, mais da metade dos usuários da Gen Z nos EUA utiliza a ferramenta. A Meta confirmou a tendência no mês passado, observando que um em cada quatro jovens adultos ativos diariamente no Facebook nos EUA e Canadá usa o Marketplace. A nova atualização, que será lançada em breve, colocará o Marketplace na barra de navegação inferior do aplicativo, ao lado de recursos como Reels e Amigos.
O redesign do Facebook segue uma lógica similar à testada no Instagram, que priorizou Reels e mensagens diretas por sua popularidade. Agora, o Facebook está recebendo um tratamento semelhante, com foco em recentralizar os amigos na experiência. A aba de Perfil permanecerá na barra de navegação, e os usuários poderão personalizar a experiência. Outra novidade é a possibilidade de dar duplo toque em fotos no Feed para curtir, similar ao Instagram, com fotos organizadas em uma grade padronizada e visualização em tela cheia. A busca também será reformulada com um layout de grade mais imersivo.
Além disso, o Facebook está facilitando a criação de Stories e posts, tornando ferramentas para adicionar música ou marcar amigos mais visíveis e eliminando distrações. Configurações de público e postagem cruzada serão exibidas de forma mais proeminente. Os comentários no Feed, Grupos e Reels também passarão por ajustes, com respostas mais simplificadas, emblemas mais visíveis e novas ferramentas de fixação, além de controles expandidos para criadores e administradores monitorarem conversas. Os usuários poderão sinalizar anonimamente comentários irrelevantes.
Uma mudança final visa recuperar a reputação do Facebook como um lugar para conectar amigos, algo que foi perdido com a priorização de notícias e vídeos de criadores. A empresa está lançando perfis de usuário atualizados, permitindo que as pessoas adicionem mais informações sobre interesses, hobbies e viagens. Se um usuário compartilhar, por exemplo, que gosta de fazer pão caseiro ou planeja uma viagem, o Facebook conectará com amigos que compartilham o interesse ou podem dar dicas. Os usuários também poderão decidir se atualizações de perfil são compartilhadas no Feed, um recurso que antes era automático e considerado irritante.
Em conclusão, a Meta está claramente reavaliando suas prioridades estratégicas após os investimentos ambiciosos no metaverso, que não renderam os resultados esperados. Com essa reformulação, a empresa busca fortalecer o Facebook como uma plataforma social prática e relevante, especialmente para jovens, ao mesmo tempo em que capitaliza o sucesso inesperado do Marketplace. As mudanças refletem um contexto mais amplo de adaptação ao comportamento dos usuários e à concorrência, com foco em funcionalidades que geram engajamento real. Se bem-sucedida, essa estratégia pode revitalizar a plataforma, mas também levanta questões sobre como a Meta equilibrará a monetização de dados com a oferta de valor genuíno aos usuários em um mercado cada vez mais saturado.

