A Meta assinou um acordo com a startup Overview Energy que prevê o uso de mil satélites para transmitir luz infravermelha a fazendas solares que alimentam data centers durante a noite. Em 2024, os data centers da Meta consumiram mais de 18.000 gigawatts-hora de eletricidade — o suficiente para abastecer mais de 1,7 milhão de residências americanas por um ano — e sua necessidade de poder computacional só cresce. A empresa se comprometeu a construir 30 gigawatts de fontes renováveis, com foco em usinas solares de escala industrial.
Normalmente, data centers que usam energia solar precisam investir em baterias ou contar com outras fontes para operar à noite. A Overview, empresa de quatro anos sediada em Ashburn, Virgínia, que saiu do modo stealth em dezembro, tem uma solução diferente: a empresa desenvolve espaçonaves que coletam energia solar abundante no espaço. Em seguida, planeja converter essa energia em luz infravermelha próxima e direcioná-la para grandes fazendas solares — da ordem de centenas de megawatts — que podem converter essa luz em eletricidade.
Ao usar um feixe infravermelho largo para alimentar a infraestrutura solar terrestre existente, a Overview acredita que pode evitar os desafios tecnológicos e as questões de segurança e regulatórias que atormentam planos de transmitir energia para a Terra por meio de lasers de alta potência ou feixes de micro-ondas. O CEO Marc Berte afirma que será possível olhar diretamente para o feixe do satélite sem efeitos nocivos.
Desafios e perspectivas
A tecnologia aumentaria o retorno sobre o investimento na construção de fazendas solares e reduziria a dependência de combustíveis fósseis — se puder ser implantada em escala. A Overview afirma já ter demonstrado a transmissão de energia para o solo a partir de uma aeronave e planeja lançar um satélite em órbita baixa da Terra em janeiro de 2028 para realizar sua primeira transmissão de energia do espaço.
Embora a ideia seja promissora, ainda há obstáculos significativos, como o custo de lançamento e manutenção dos satélites, a eficiência da conversão e a regulamentação de uso de frequências. No entanto, a parceria com a Meta pode acelerar o desenvolvimento e viabilizar comercialmente a solução, que promete transformar a forma como data centers obtêm energia limpa e contínua.

