Com a chegada de março, tradicionalmente conhecido como o Mês do Consumidor, os brasileiros se deparam com uma enxurrada de promoções e ofertas. No entanto, especialistas e autoridades fazem um alerta importante: é preciso redobrar a atenção para não cair em golpes ou, sem saber, participar de crimes como a receptação. A compra de produtos sem nota fiscal ou sem comprovação de origem pode representar riscos significativos, indo desde prejuízos financeiros até implicações legais graves.

Mesmo com dados recentes mostrando uma queda nos crimes contra o patrimônio no estado de São Paulo em janeiro — com redução de 7,9% nos furtos, totalizando 44.226 ocorrências, e de 24% nos roubos, com 12.128 casos —, as autoridades reforçam que a vigilância na hora da compra continua sendo fundamental. Isso é especialmente verdadeiro em períodos de maior volume de promoções, onde a pressa ou a tentação por um preço baixo podem levar a decisões precipitadas.

A recomendação principal é sempre verificar a procedência do produto. Segundo a legislação brasileira, a receptação ocorre quando uma pessoa adquire, transporta, oculta ou vende itens provenientes de furto ou roubo, mesmo que haja apenas indícios de irregularidade. Essa prática não é apenas um problema individual; ela contribui diretamente para a continuidade de crimes patrimoniais, como furtos e roubos de celulares e eletrônicos. A existência de compradores dispostos a adquirir produtos de origem duvidosa mantém ativo o mercado ilegal, alimentando um ciclo de criminalidade.

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"O consumidor precisa exigir a nota fiscal e desconfiar de ofertas muito abaixo do preço de mercado. Esse é um dos principais sinais de irregularidade e pode indicar origem ilícita", afirma Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento de Investigações Criminais da Polícia Civil de São Paulo. Ele ressalta que, mesmo quem não participou diretamente do crime original, pode ser responsabilizado. "A pessoa pode responder por receptação ao adquirir um produto sem procedência comprovada ou diante de indícios de ilegalidade", explica.

Para combater esse tipo de crime, especialmente no caso de celulares — um dos itens mais visados por ladrões —, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo atua por meio do programa SP Mobile. Essa iniciativa cruza dados de boletins de ocorrência com informações de operadoras de telefonia para identificar aparelhos subtraídos que foram reativados. Quando um celular com restrição é localizado, o portador é notificado para comparecer a uma delegacia, onde deve comprovar a origem do aparelho ou realizar a devolução voluntária. Essa medida tem se mostrado eficaz, auxiliando na recuperação dos dispositivos e no combate à cadeia de receptação.

Em resumo, o Mês do Consumidor é uma oportunidade para fazer boas compras, mas também um momento de conscientização. Exigir a nota fiscal, desconfiar de preços absurdamente baixos e verificar a procedência dos produtos são passos simples que podem evitar dores de cabeça e contribuir para a redução da criminalidade. Afinal, como destacam as autoridades, a segurança começa com escolhas informadas e responsáveis na hora de consumir.