O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de pura tensão nesta quinta-feira (26), com investidores correndo para se proteger diante das incertezas sobre um possível cessar-fogo no Oriente Médio. O cenário foi marcado por declarações conflitantes entre os governos dos Estados Unidos e do Irã, que deixaram o mercado em alerta máximo e provocaram movimentos bruscos nos principais ativos.

O dólar comercial foi um dos termômetros mais sensíveis desse nervosismo. A moeda estadunidense encerrou o dia vendida a R$ 5,256, registrando uma alta de R$ 0,036, o equivalente a 0,69%. A cotação teve um dia extremamente volátil: abriu em R$ 5,26, chegou a cair para R$ 5,21 no fim da manhã, mas acelerou fortemente à tarde, pressionada pela busca global por segurança. Em março, o dólar acumula alta de 2,38%, embora em 2026 tenha recuado 4,24%.

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pediu que o Irã aja rapidamente sobre um plano de cessar-fogo, contrastaram com a posição do governo iraniano. O país afirmou que está analisando a proposta dos EUA, mas não tem interesse em conversações, e que a resposta inicial "não foi positiva". Esse cabo de guerra diplomático aumentou a incerteza sobre um eventual acordo e fez os investidores fugirem de ativos considerados de risco.

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O Banco Central (BC) tentou conter a pressão de alta no câmbio, mas sem sucesso. A autoridade monetária atuou no mercado com leilões de linha, injetando US$ 1 bilhão nesta quinta-feira. Na terça-feira (24), o BC já havia vendido mais US$ 1 bilhão na mesma modalidade, que consiste em comercializar dólares das reservas internacionais com o compromisso de recomprar o dinheiro meses depois. Apesar das intervenções, a pressão compradora se manteve forte.

No mercado de ações, o clima também foi de pessimismo. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, recuou 1,45%, fechando aos 182.732 pontos, interrompendo uma sequência de três altas consecutivas. O índice chegou a oscilar entre a máxima de 185 mil pontos e a mínima próxima de 182 mil ao longo do dia, acompanhando o movimento internacional de cautela. As bolsas de Nova York também registraram quedas consideráveis, refletindo a falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

No cenário doméstico, os dados de inflação também ficaram no radar dos investidores. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de março, subiu 0,44%. O indicador desacelerou em relação a março do ano passado, mas ficou acima das expectativas do mercado, reforçando preocupações com o cenário inflacionário no Brasil.

Enquanto isso, os preços do petróleo dispararam com força, refletindo o temor de interrupções no fornecimento global de energia. O barril do tipo Brent, referência nas negociações internacionais, subiu cerca de 5,7% e alcançou os US$ 108,01. O combustível acumula ganhos expressivos no mês e no ano, impulsionado pelas tensões na região do Golfo Pérsico. A ausência de um acordo imediato entre as partes aumenta o risco de prolongamento do conflito e de impactos mais amplos na economia global.

O mercado permanece volátil e reage rapidamente a cada nova sinalização diplomática. Enquanto as negociações não avançarem de forma concreta, os investidores devem continuar buscando proteção em ativos considerados mais seguros, mantendo o cenário de incerteza e nervosismo nos pregões.