Estimular o interesse de meninas por áreas historicamente dominadas por homens, como programação, design de jogos e produção tecnológica, é o foco do projeto ELAborando Universos Lúdicos. Coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o programa visa incentivar a formação científica de jovens e faz parte da iniciativa Mulheres e Meninas na Ciência, também idealizada pela fundação.

Em parceria com três escolas da rede estadual do Paraná, o projeto lançou em fevereiro um desafio: desenvolver jogos que incentivem e conscientizem sobre a promoção da saúde. A missão foi designada a 24 alunas do Ensino Médio de Curitiba, e seus trabalhos foram apresentados nesta sexta-feira (06), na Exposição de Tecnologias Sociais Educativas da Fiocruz Paraná, na sede da fundação na capital paranaense.

As participantes são dos colégios Cívico-Militar Arlindo Carvalho de Amorim, do Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba (CEEP) e do Colégio Estadual Euzébio da Mota. As escolas foram selecionadas após um processo que incluiu capacitação em conceitos científicos, práticas criativas e uso de ferramentas tecnológicas, além do desenvolvimento e avaliação das propostas de jogos educativos voltados à saúde.

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O ciclo formativo ocorreu durante fevereiro e contemplou etapas de articulação com as escolas, formação conceitual, instrumentalização para criação dos jogos, acompanhamento das propostas, seleção final e produção do material educativo. Cada escola contou com duas equipes de quatro estudantes, totalizando seis jogos em desenvolvimento, com os projetos mais destacados expostos na Fiocruz.

De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a iniciativa mostra como parcerias entre instituições de pesquisa e a rede pública de ensino podem ampliar oportunidades educacionais e aproximar estudantes da ciência. "Este projeto é um exemplo muito concreto de como a escola pública pode se conectar com a ciência, a tecnologia e a inovação", afirmou. "Quando meninas do Ensino Médio têm a oportunidade de criar jogos, trabalhar com programação e pensar soluções voltadas à promoção da saúde, elas passam a se enxergar também nesses espaços que historicamente tiveram menor presença feminina", destacou.

"O objetivo principal é formar multiplicadoras nos territórios, que provoquem a reflexão necessária às mudanças sociais, promovendo a equidade de gênero e raça na ciência, tecnologia e saúde", afirma a idealizadora e coordenadora do projeto da Fiocruz, Maria das Graças Rojas Soto. "Criando e desenvolvendo produtos, elas compartilham o que produziram na sua comunidade escolar e em seu entorno".

Para a professora Carla Estrambek Cabral, supervisora dos trabalhos escolares do CEEP, o projeto teve grande importância para as alunas. "A iniciativa proporcionou uma experiência significativa de protagonismo feminino na ciência, estimulando a criatividade, o pensamento crítico, o trabalho colaborativo e a aplicação prática do conhecimento científico", disse ela. Além disso, segundo a professora, permitiu ao colégio o fortalecimento das práticas pedagógicas voltadas à iniciação científica, à interdisciplinaridade e à aprendizagem ativa.

Durante o projeto, as estudantes participaram de oficinas de criação de narrativas, design de personagens, construção de universos ficcionais e desenvolvimento de mecânicas de jogo. O objetivo foi transformar conceitos científicos e temas de saúde pública em experiências interativas capazes de comunicar conhecimento de forma acessível e criativa.

Entre os temas trabalhados estiveram o conceito ampliado de saúde, determinantes sociais da saúde, redução de desigualdades e equidade de gênero, que serviram de base para as histórias e dinâmicas presentes nos jogos desenvolvidos pelas equipes.

Confira os projetos selecionados:

Aventura das Vacinas - O tema das vacinas faz parte do cotidiano da população e, muitas vezes, gera dúvidas. O jogo mostra de forma leve o quanto as vacinas são importantes no dia a dia. A proposta não é só competir, mas também compartilhar momentos.

Colégio Estadual Arlindo Carvalho de Amorim

Autoras: Isabelly Vitoria, Sarah Barbosa, Maria Fernanda e Quezia Victória

Supervisora: Prof.ª Moniky de Oliveira

Imunium - Jogo de tabuleiro com cartões de perguntas e respostas sobre doenças e seus tratamentos.

Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba

Autoras: Isabela Quero, Emanuelly Meireles, Emanuely Alves e Nicoly Ventura

Supervisora: Prof.ª Carla Cabral

Raízes e Memórias - Tem como objetivo promover, durante o jogo, momentos de conversa entre os participantes. Jogo de tabuleiro direcionado aos idosos, que utiliza cartas com perguntas sobre lembranças de momentos, coisas de que gosta e que gostaria de compartilhar.

Colégio Estadual Euzébio da Mota

Autoras: Alicia Fidalgo, Gabrielli Pereira, Kauane Silva e Laura Rita

Supervisora: Prof.ª Marlene Lins

SERVIÇO

Data: 6 de março, sexta-feira

Horário: comercial

Local: Rua Prof. Algacyr Munhoz Mader, 3775 - CIC/Curitiba