O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado nesta terça-feira (17) para relatar o pedido de prorrogação dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A decisão ocorre após o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), protocolar um mandado de segurança no STF na sexta-feira (13), buscando obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a ler o requerimento de prorrogação. Os trabalhos da CPMI estão previstos para acabar no dia 28 deste mês, e a movimentação judicial reflete a tensão política em torno do caso.

Segundo o senador Carlos Viana, há omissão de Alcolumbre e da Mesa Diretora ao não receberem o requerimento de prorrogação. Em seu argumento, a CPMI afirma: "A Mesa Diretora e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, não querem adotar as providências necessárias para a prorrogação da CPMI do INSS, desde a não determinação de recebimento do requerimento até a não promoção da leitura do referido pedido de extensão de prazo na sessão do Senado Federal ou do Congresso Nacional". Essa postura, segundo a comissão, impede a continuidade das investigações sobre irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O caso ganha contornos ainda mais complexos devido ao envolvimento de Mendonça em outros processos relacionados. O ministro também é relator do inquérito que apura as fraudes no Banco Master, instituição ligada a Daniel Vorcaro, banqueiro investigado pela CPMI do INSS. Recentemente, Mendonça proibiu a comissão de ter acesso a novos dados da quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro, determinando que os documentos, guardados em uma sala-cofre da CPMI no Senado, sejam devolvidos à Polícia Federal (PF).

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A medida foi tomada após o ministro determinar a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de conversas privadas entre Vorcaro e sua ex-namorada, o que levantou questões sobre a segurança das informações e a condução das investigações. A CPMI do INSS apura a suposta participação do Banco Master em empréstimos consignados irregulares a aposentados e pensionistas, um tema sensível que tem gerado amplo debate público e político.

Com o sorteio de Mendonça para relatar o pedido de prorrogação, o STF passa a centralizar decisões críticas sobre o futuro da CPMI. Analistas políticos destacam que a situação ilustra os impasses entre os Poderes no Brasil, onde o Judiciário frequentemente é acionado para resolver conflitos legislativos. A expectativa agora é que o ministro analise o mandado de segurança e decida se Alcolumbre deve ou não ler o requerimento, o que poderia abrir caminho para a extensão dos prazos da comissão.

Enquanto isso, notícias relacionadas continuam a surgir, como a decisão de Mendonça sobre o uso de tornozeleira em um caso envolvendo uma deputada do Ceará ligada ao INSS, a investigação da Polícia Legislativa sobre vazamento de dados de Vorcaro, e as penas aplicadas a deputados do PL condenados por corrupção. Esses desdobramentos reforçam o caráter multifacetado do escândalo, que mistura questões previdenciárias, bancárias e políticas, mantendo o tema em evidência na agenda nacional.