A Polícia Civil do Paraná (PCPR) desferiu um duro golpe contra o crime organizado nesta sexta-feira (5) com uma megaoperação que resultou na prisão de 56 pessoas em 16 municípios do estado. A ação, batizada de "Operação Garantias", desarticulou uma organização criminosa com atuação nas regiões Sudoeste, Sul e Norte Pioneiro do Paraná, interrompendo suas atividades ilícitas.
Mais de 200 policiais das três forças de segurança do estado - PCPR, Polícia Militar do Paraná (PMPR) e Polícia Penal do Paraná (PPPR) - participaram da operação, que começou nas primeiras horas da manhã e se estendeu por todo o dia. As equipes utilizaram viaturas, helicóptero e cães de faro para cumprir 46 prisões preventivas e 10 prisões em flagrante, além de 54 ordens de busca domiciliar.
Os mandados foram deferidos pelo juízo das garantias da Comarca de Dois Vizinhos após representação da PCPR. As ações ocorreram simultaneamente nos municípios de Dois Vizinhos, Cruzeiro do Iguaçu, Francisco Beltrão, Marmeleiro, Salto do Lontra, Barracão, Santo Antônio do Sudoeste, Capanema, Pato Branco, Coronel Vivida, Mangueirinha, Palmas, Clevelândia, Itapejara D'Oeste, União da Vitória e Siqueira Campos.
Segundo o delegado Rafael Tavares, que coordenou as investigações, dos 60 investigados, nove já estavam no sistema prisional. "As investigações tiveram início em outubro deste ano e apontam que os alvos integravam um grupo ligado a uma organização criminosa com atuação nacional", explicou o delegado. Equipes da PPPR também cumpriram mandados de prisão e de busca dentro das celas do sistema penitenciário.
A delegada Natália Morari, que também participou da operação, detalhou o modus operandi do grupo. "Os investigados utilizavam aplicativos de mensagens para tratar de crimes como homicídios, tráfico de drogas, comércio de armas de fogo e para compartilhar informações sobre operações policiais", revelou. A comunicação digital era a principal ferramenta para coordenar as atividades criminosas em diferentes cidades.
Durante as buscas, os policiais apreenderam armas de fogo, munições, porções de drogas como crack, cocaína e maconha, além de balança de precisão e aparelhos celulares. "Todos os materiais apreendidos serão periciados para continuidade das investigações", completou a delegada Morari. Os celulares, em particular, são considerados cruciais para desvendar a extensão da organização e identificar outros envolvidos.
Os presos foram encaminhados ao sistema penitenciário do Paraná, onde aguardam a continuidade do processo judicial. A PCPR, no entanto, não deu trégua e segue em diligências para capturar outras 13 pessoas que estão foragidas e também fazem parte do mesmo esquema criminoso.
A operação representa um dos maiores golpes contra o crime organizado no interior do Paraná nos últimos meses e demonstra a integração entre as forças de segurança do estado. A ação ocorre em um contexto de outras operações bem-sucedidas no estado, como a apreensão de 1,5 tonelada de maconha em Santa Helena pela PMPR e a prisão de um grupo que lucrou R$ 10 milhões vendendo remédio veterinário como alucinógeno.
As investigações continuam, e a expectativa da polícia é que novas prisões e descobertas ocorram nas próximas semanas, à medida que os peritos analisam o material apreendido e os presos começam a prestar depoimento.

