O Ministério da Educação (MEC) lançou neste sábado (28) uma plataforma digital que promete facilitar o acesso à escola para milhões de brasileiros que não conseguiram concluir os estudos na idade regular. Chamada de Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), a ferramenta permite que qualquer pessoa com 15 anos ou mais registre seu interesse em voltar a estudar, sem precisar ir até uma unidade de ensino para fazer a solicitação.

O lançamento ocorreu durante o Encontro Nacional da EJA, evento que reúne gestores e especialistas em educação. O sistema foi desenvolvido para mapear a demanda por vagas na rede pública de ensino básico em todo o país, funcionando como uma ponte entre quem quer estudar e as secretarias de educação estaduais e municipais.

Atualmente, segundo o MEC, não existe nenhum meio físico ou digital centralizado para que as pessoas possam registrar a demanda pela modalidade Educação de Jovens e Adultos, exceto nas próprias escolas. A nova plataforma vem para preencher essa lacuna. "O objetivo é facilitar o processo de matrícula escolar, a partir da mobilização das secretarias de educação para atender as demandas", explica o ministério.

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O CadEJA faz parte do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), uma política pública que visa superar o analfabetismo e elevar a escolaridade da população com mais de 15 anos que não terminou os estudos na idade recomendada. A iniciativa se alinha com discursos recentes do governo federal sobre a importância da educação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido que "investir em educação é o jeito de salvar o Brasil", enquanto especialistas apontam que a alfabetização na idade correta é um marco fundamental para o desenvolvimento do país.

Como funciona o cadastro

Para quem quer iniciar os estudos ou voltar a estudar, o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos oferece duas formas de inscrição: pelo site do programa no endereço eletrônico do CadEJA ou pelo aplicativo MEC Enem. O processo é totalmente online e foi pensado para ser acessível.

O interessado precisa preencher um formulário com informações básicas: nome completo, número do CPF, data de nascimento e um meio de contato, que pode ser um número de telefone ou WhatsApp com DDD, e-mail ou até mesmo o telefone de um parente ou vizinho, para garantir que mesmo quem não tem acesso fácil à tecnologia possa se inscrever.

Em seguida, para que a ferramenta possa indicar a escola mais próxima e a turma mais adequada, é necessário informar a unidade da federação, o município e o bairro onde se deseja estudar, além do turno preferencial (manhã, tarde ou noite).

Uma etapa importante do cadastro é informar em que fase os estudos foram interrompidos: antes de aprender a ler e escrever; durante o ensino fundamental; ou durante o ensino médio (antigo segundo grau). Por fim, o futuro estudante pode indicar situações especiais, como estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) ou ser uma pessoa com deficiência (PCD).

E depois do cadastro?

Após concluir a inscrição, o cidadão recebe um número de protocolo e deve aguardar o contato da Secretaria de Educação local responsável pela oferta de EJA no bairro escolhido. Com a confirmação da existência de vaga na rede pública de ensino, basta realizar a matrícula presencialmente para voltar a estudar.

O MEC ressalta que a plataforma é um canal de demanda, ou seja, ela não garante a vaga imediata, mas organiza e direciona as solicitações para que as redes de ensino possam planejar a abertura de novas turmas conforme a necessidade identificada.

Para quem tiver dúvidas sobre como usar a nova ferramenta, o ministério disponibiliza uma página virtual específica do CadEJA e um canal de atendimento telefônico oficial: 0800-616161. A expectativa é que, com essa inovação, mais brasileiros possam retomar os estudos e buscar a qualificação necessária para melhorar suas condições de vida.