Diante das condições climáticas extremas que atingem o estado do Rio de Janeiro, a Marinha do Brasil acionou, pela primeira vez, a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (Frida) do Corpo de Fuzileiros Navais. A operação foi empregada para apoiar a região do Norte Fluminense, castigada por fortes chuvas e temporais. Criada em dezembro do ano passado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Frida tem como objetivo trabalhar em coordenação com a Defesa Civil para reduzir os impactos causados por eventos extremos, como os que têm ocorrido em várias partes do país.

No último sábado (7), a força especial atuou nos municípios de Cantagalo e Porciúncula, oferecendo apoio humanitário com ênfase na retirada de detritos, recomposição das vias públicas, restabelecimento de acessos e suporte direto às comunidades isoladas. Em Porciúncula, segundo a prefeitura da cidade, 1.090 moradores foram diretamente impactados pelo temporal. Além do reforço da Marinha, as equipes municipais atuam em ações emergenciais de limpeza, recuperação da infraestrutura e apoio às famílias afetadas. O Governo do Estado anunciou o envio de maquinários para apoio às operações e a análise de medidas voltadas ao atendimento das pessoas diretamente atingidas pelas enchentes.

Já Cantagalo está em situação de emergência desde o último dia 6, em razão dos danos causados pelas fortes chuvas, especialmente nos distritos de Euclidelândia e Boa Sorte. A prefeitura da cidade informou que segue atuando de forma integrada, com apoio do Governo do Estado, priorizando a segurança da população e o atendimento às pessoas afetadas. Uma das rotas afetadas no município foi a RJ-152. Também no último dia 6, a prefeitura informou que foi feito um desvio na rota, liberando o fluxo apenas para veículos leves.

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Atuação da Frida

De acordo com a Marinha, um grupo de 120 militares chegou ao Norte Fluminense, seis horas e 30 minutos depois de acionada, no sábado. Em um primeiro momento, segundo a instituição, foram empregadas 24 viaturas especializadas, tratores e retroescavadeiras, além de recursos tecnológicos avançados, como drones capazes de operar sob condições climáticas adversas em observação aérea de regiões afetadas. A tropa ficará alojada provisoriamente na Escola Municipal Elestar Caetano Mendes, na região de Euclidelândia, conforme informou a Marinha.

Previsão do tempo e alertas

Praticamente todo o estado do Rio de Janeiro está em área de perigo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão, até o fim desta terça-feira (10), é de chuva intensa, com volume entre 30 e 60 milímetros por hora (mm/h) ou 50 e 100 mm/dia e ventos intensos de 60 a 100 quilômetros por hora (km/h), com risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

A orientação do instituto é, em caso de rajadas de vento, não se abrigar debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas, e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Se possível, desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia. A população deve ficar atenta às informações oficiais e, em caso de necessidade, acionar a Defesa Civil (telefone 199) e o Corpo de Bombeiros (telefone 193).

Enquanto o Rio de Janeiro enfrenta essa situação, outras regiões do país também lidam com eventos climáticos extremos. Em São Paulo, o risco de deslizamento colocou 30 cidades em estado de atenção, e a Defesa Civil do estado retomou o gabinete de crise após previsão de chuvas. A atuação da Frida no Norte Fluminense marca um novo capítulo na resposta a desastres ambientais no Brasil, com a integração de forças militares especializadas em apoio às comunidades afetadas.