Após 30 dias de trabalho intenso, foram encerradas as atividades de limpeza e organização em Rio Bonito do Iguaçu, cidade do Centro-Sul paranaense que foi atingida por um tornado no dia 07 de novembro. A iniciativa, que mobilizou aproximadamente 100 custodiados do sistema penal do Estado, faz parte do Programa Mãos Amigas e de outros programas da Polícia Penal do Paraná (PPPR), executados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) e pela Secretaria da Segurança Pública.
Os trabalhos consistiram em serviços de manutenção, conservação e pequenos reparos, realizados por pessoas privadas de liberdade que atuaram em atividades como pintura, jardinagem, limpeza, reparos elétricos e hidráulicos. As equipes, formadas por detentos e policiais penais vindos de Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Ponta Grossa e Cascavel, incluíam pintores, eletricistas, marceneiros e auxiliares de serviços gerais.
Os esforços se concentraram na recuperação de espaços públicos essenciais, como escolas, órgãos públicos, o Batalhão da Polícia Militar e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) do município. Na área educacional, as frentes de serviço atuaram principalmente nos colégios estaduais Ludovica Safraider, Ireno Alves dos Santos, e na sede da Apae, que também sofreu danos estruturais.
De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Laranjeiras do Sul, Adriane Schio de Almeida, o atendimento imediato foi fundamental. "Já na segunda-feira seguinte à passagem do tornado, as equipes estavam trabalhando, retirando os escombros, e fazendo a limpeza dos espaços para que outras frentes pudessem ser acionadas, como a reconstrução dos espaços", relembra.
Os recursos do programa Mãos Amigas foram aplicados em reparos prioritários e ações de limpeza, totalizando R$ 75 mil por meio do Fundo Rotativo do Fundepar. Desse valor, R$ 50 mil foram destinados ao Colégio Ireno Alves e R$ 25 mil ao Colégio Ludovica Safraider.
Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a participação das pessoas privadas de liberdade vai além da recuperação material. "A participação das pessoas privadas de liberdade mostra que a política pública pode ir além da recuperação material: é oportunidade de ressocialização, de reconstrução e de contribuição real com a sociedade", afirma.
A diretora-geral da Polícia Penal do Paraná, Ananda Chalegre, destaca que a execução penal é um compromisso com a segurança pública e com toda a sociedade. "A execução penal vai muito além do encarceramento. Ela é um compromisso com a segurança pública e com toda a sociedade. O Mãos Amigas, assim como outros programas da Polícia Penal que fizeram parte desta iniciativa, mostram que avançamos para uma atuação que integra segurança, reinserção social e valorização humana", ressalta.
Com a conclusão da limpeza, o Governo do Estado agora se mobiliza para as próximas etapas, que incluem serviços comuns de engenharia, como recomposição de coberturas, recuperação estrutural, redes elétricas e hidráulicas, substituição de esquadrias, pintura e demais ações indispensáveis para restabelecer as condições adequadas de funcionamento dos espaços públicos atingidos.
Os serviços serão executados por empresas especializadas, contratadas mediante processo licitatório. Nas instituições de ensino, a conclusão está prevista para ocorrer até o início do ano letivo de 2026, marcado para o dia 05 de fevereiro, com um investimento inicial previsto de até R$ 16 milhões.
Paralelamente, o Fundepar, em cooperação técnica com a Polícia Penal e apoio técnico do Paranaeducação, inicia em dezembro uma série de cursos de capacitação em dez Núcleos Regionais de Educação (NREs), em parceria com o Sesi-PR. A capacitação inclui aulas para trabalhos em altura, operação de motosserra, motopoda, roçadeiras e técnicas de segurança em máquinas e equipamentos, realizadas entre dezembro de 2025 e o início de 2026.
Segundo Claus Giovani Andrade Marchiori, chefe de Programas e Projetos Especiais do Fundepar e gerente estadual do Programa Mãos Amigas, a preparação foi essencial para o atendimento rápido. "Estava prevista, desde o início de 2025, a capacitação desta mão de obra, pois todo ano aperfeiçoamos o programa. Assim como em outras situações nas quais o Mãos Amigas esteve presente, na reconstrução de Rio Bonito, o atendimento rápido só foi possível graças a esta preparação", observa.
O Programa Mãos Amigas, instituído pela Lei Estadual 21.815/2023 e regulamentado pelo Decreto 9.044/2025, é executado pelo Fundepar em cooperação técnica com a Polícia Penal e apoio técnico do Paranaeducação. Ele consiste na execução de serviços de manutenção, conservação e reparos de unidades escolares por meio da mão de obra de presos do sistema penal do Estado do Paraná.
Entre as obras concluídas com a ajuda dos presos em Rio Bonito do Iguaçu estão o CMEI Dona Laura, a Câmara Municipal de Vereadores, a Unidade Básica de Saúde (UBS), o Centro de Eventos Municipal, a Delegacia de Polícia Civil, o CMEI Pedacinho do Céu, a UBS da Comunidade Arapongas, a Paróquia Santo Antônio de Pádua, a Apae, o Centro Comunitário Arapongas e o Destacamento da Polícia Militar. A Escola Municipal do Campo Chico Mendes ainda está em andamento, enquanto os colégios estaduais Ireno Alves dos Santos e Ludovica Safraider seguem em reparos com demolição de partes das estruturas.

