O Governo de São Paulo inaugurou nesta terça-feira (23) o piscinão Jaboticabal, uma obra de macrodrenagem que representa um reforço crucial no sistema de prevenção contra enchentes da Região Metropolitana de São Paulo. Localizado na divisa entre São Paulo, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo, o empreendimento beneficiará cerca de 1,5 milhão de pessoas e integra um pacote de R$ 25 bilhões que o estado vem executando para ampliar a resiliência hídrica.
Durante a cerimônia de inauguração, o governador Tarcísio de Freitas destacou a importância da obra para o período de chuvas. "Há tempos atrás nós tivemos aqui e dissemos: 'vai começar a operar no final do ano'. Era um objetivo nosso, porque a gente quer que no período de chuvas, no verão, esse piscinão esteja operando 100%. E vai estar pronto para funcionar. Hoje estamos aqui e o Jaboticabal é o maior piscinão da América Latina, com 900 milhões de litros, o equivalente a 360 piscinas olímpicas", afirmou o governador.
Com capacidade para armazenar até 900 mil metros cúbicos de água – volume realmente equivalente a 360 piscinas olímpicas –, o piscinão ajudará no controle de inundações em uma área de até 100 km². A estrutura possui 13 metros de profundidade e ocupa 130 mil m², conectando o Córrego Jaboticabal, próximo à Rodovia Anchieta, ao Ribeirão dos Meninos. Para garantir o escoamento eficiente da água acumulada, foram instalados seis conjuntos de motobombas, cada um com vazão de 850 litros por segundo. O investimento total na obra foi de aproximadamente R$ 573 milhões.
A secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, emocionou-se ao relembrar o desafio de concluir o projeto. "Hoje é um dia histórico e a gente precisa falar e lembrar desse dia. O governador me chamou e falou: 'Natália, a gente precisa resolver problemas históricos', como ele gosta de falar, 'a gente quer fazer do impossível, o possível'. E essa obra é muito representativa, porque ela é isso. Estava com um ritmo lento, com uma série de desafios, que a gente conseguiu superar", disse a secretária.
O piscinão Jaboticabal é apenas uma parte de um amplo investimento do Governo de São Paulo em infraestrutura hídrica. Desde 2023, quase R$ 1 bilhão foram destinados especificamente para a construção de piscinões na região metropolitana. Em Franco da Rocha, por exemplo, já foram entregues os piscinões EU-09 e EU-08, com capacidade combinada de 268 mil m³ de água. Outras obras estão em andamento, como o TG-09, na divisa entre Franco da Rocha e Francisco Morato, e o RA-01, conhecido como Piscinão Antonico, ao lado do Estádio do Morumbi, na capital paulista.
Além da construção de novos reservatórios, a SP Águas – empresa estadual responsável pela gestão de recursos hídricos – realiza a manutenção e limpeza de 27 piscinões já existentes na região metropolitana, com investimentos de R$ 156,2 milhões nesses serviços desde 2023. Essas ações fazem parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e melhorar a segurança da população.
O Estado de São Paulo está mobilizando o que considera o maior plano de segurança e resiliência hídrica da história, com recursos totais da ordem de R$ 25 bilhões. A estratégia combina obras de grande porte – como barragens, reservatórios e projetos de saneamento – com ações de apoio aos municípios que têm limitações orçamentárias. Programas como o IntegraTietê já garantiram R$ 22 bilhões em ações de despoluição desde 2023, enquanto o Fehidro contratou R$ 926,4 milhões em obras de gestão hídrica, drenagem e saneamento entre 2023 e 2025.
Outra frente importante é o programa Rios Vivos, que está investindo quase R$ 500 milhões em obras de canalização de rios e córregos e desassoreamento em 158 cidades. Todas essas iniciativas têm um objetivo comum: proteger a população dos efeitos severos das mudanças climáticas, evitar enchentes e ampliar a segurança hídrica em um dos estados mais populosos do país.
A operação do piscinão Jaboticabal chega em um momento estratégico, pouco antes do início do verão – período tradicionalmente marcado por chuvas intensas na região metropolitana de São Paulo. Com sua capacidade de armazenamento recorde, a obra promete aliviar significativamente os pontos críticos de alagamento que há décadas afetam a qualidade de vida de milhões de paulistas.

