O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (26) da cerimônia oficial do Tour da Taça da Copa do Mundo da Fifa 2026 no Palácio do Planalto. O evento reuniu ex-jogadores como Cafu, Jairzinho, Branco, Edmílson, Pepe e a ex-atleta Formiga, da Seleção Feminina, além de ministros e outras autoridades. Com pouco mais de três meses para o início do torneio masculino, sediado no Canadá, México e Estados Unidos, o troféu de ouro maciço de 18 quilates, que pesa cerca de 6 kg, já havia passado por São Paulo e Rio de Janeiro antes de chegar a Brasília.

A iniciativa é organizada globalmente pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) em parceria com a patrocinadora Coca-Cola, levando o troféu original a diversos países antes do mundial. Durante o discurso, Lula fez uma defesa enfática do futebol feminino, lembrando que o Brasil sediará a Copa do Mundo feminina em 2027. Havia expectativa de que a taça do torneio feminino fosse apresentada, mas problemas logísticos impediram sua exibição.

"Essa Copa do Mundo [de futebol feminino] tem alguns ingredientes. Primeiro, é preciso que a gente comece a valorizar o futebol feminino como ele merece ser valorizado", afirmou o presidente. Ele criticou a disparidade salarial entre atletas homens e mulheres, citando jogadores que ganham R$ 1,5 milhão mensais mesmo no banco de reservas, enquanto jogadoras da Seleção Brasileira recebem cerca de R$ 20 mil ou valores inferiores como R$ 5 mil em clubes.

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Lula classificou a diferença como "um disparate" e atribuiu o problema ao preconceito de gênero numa sociedade machista. "Elas mereciam ganhar um pouco mais, porque são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol. Acho que essa Copa do Mundo é um alento para que a gente possa, depois que acabar a Copa, sair com as mulheres muito mais valorizadas", acrescentou.

O presidente também afirmou que a Copa feminina de 2027 será uma chance de o Brasil se redimir do que chamou de "vexame" em 2014, quando o país sediou o torneio masculino marcado pela goleada de 7x1 para a Alemanha na semifinal. Segundo Lula, não foi um vexame dos jogadores, mas do momento "delicado, irritante e nervoso" que o país vivia, citando "mentiras inesquecíveis sobre corrupção" nas obras dos estádios e as vaias sofridas pela então presidente Dilma Rousseff.

Referindo-se ao cenário atual, Lula destacou a melhora nos indicadores econômicos e sociais como um ambiente favorável para o Brasil retomar protagonismo no futebol. "Não vamos deixar que nada fora do futebol abale o espírito das nossas guerreiras e que essa Copa seja um exemplo que não pode ser a de 2014", declarou. Ele ainda citou o pacto contra o feminicídio, lembrando das mais de 1,7 mil mulheres assassinadas no ano passado, e estimulou a lotação dos estádios na Copa feminina.

Sobre o torneio masculino de 2026, Lula revelou ter conversado com o técnico Carlo Ancelotti e se disse "convencido" da conquista do hexacampeonato. "Conversei com o Ancelotti e achei ele uma figura extremamente séria, com a cabeça no lugar. E quando um técnico tem seriedade, normalmente os jogadores sabem que têm responsabilidade. Estou convencido de que vamos ganhar essa Copa", finalizou.