O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão nesta quarta-feira (25) para fazer um balanço das ações de seu governo em 2025 e apontar os principais desafios para o ano de 2026. Em mensagem que mesclou votos de boas festas com avaliação política, Lula afirmou que 2025 foi "um ano histórico no Brasil", marcado por dificuldades, mas com vitórias para a população.
"E quando os fogos brilharem no céu, na noite do dia 31, estará encerrado um ano histórico no Brasil. Um ano difícil, com muitos desafios, mas um ano em que todos que torceram ou jogaram contra o Brasil acabaram perdendo. Um ano em que o povo brasileiro sai como o grande vencedor", declarou o presidente, estabelecendo o tom otimista do discurso.
Entre as principais conquistas elencadas, Lula destacou a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, a retomada e fortalecimento do programa Bolsa Família, o apoio à agricultura familiar e a valorização do salário mínimo. O mandatário também comemorou medidas recentes, como a sanção do porte de arma para policiais legislativos estaduais e o anúncio de que o novo salário mínimo será de R$ 1.621 em 2026.
"Investimos muito na geração de empregos e na alimentação nas escolas", ressaltou Lula, apontando como outra grande vitória a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. "Para milhões de brasileiras e brasileiros, o último dia do ano também será o último dia com Imposto de Renda descontado no salário. A partir de janeiro, com o fim do IR, milhões de famílias terão um dinheiro extra todos os meses. Isso vai aliviar as contas, aquecer ainda mais a economia e beneficiar o país inteiro", explicou.
Na área de saúde, o presidente mencionou o programa Agora Tem Especialistas, criado para reduzir filas no SUS, e citou iniciativas sociais como Pé-de-Meia, Gás do Povo e Luz do Povo. "O Minha Casa Minha Vida voltou, alcançou a classe média, e está chegando também o Reforma Casa Brasil. Porque moradia digna é um direito fundamental, que tem que ser garantido", defendeu.
Lula também lembrou obras de infraestrutura como a Transposição do Rio São Francisco e as ações do Novo PAC. Economicamente, comemorou o fechamento de 2025 com a menor taxa de desemprego da história, recordes no emprego formal e na renda média. "E a inflação acumulada será a menor de todos os tempos. Graças a esses avanços, temos os menores índices de pobreza e desigualdade da história. E só neste ano, dois milhões de pessoas deixaram o Bolsa Família porque melhoraram de renda", afirmou.
Outro ponto destacado foi a nova Carteira Nacional de Habilitação, que deve ficar até 80% mais barata, aumentando o acesso. Porém, o presidente não deixou de lado os desafios. Para 2026, citou o combate ao crime e à violência como prioridades, elogiando operações da Polícia Federal contra o crime organizado. "Nenhum dinheiro ou influência vai impedir a Polícia Federal de ir adiante", garantiu, acrescentando que, pela primeira vez, o "andar de cima" foi atingido.
Sobre a violência contra as mulheres, Lula se comprometeu a liderar um esforço nacional. "Vou liderar um grande esforço nacional envolvendo ministérios, instituições e toda a sociedade brasileira. Nós que somos homens devemos fazer um compromisso de alma. Em nome de tudo que é mais sagrado, seja um aliado", conclamou.
No cenário internacional, o presidente avaliou que o Brasil recuperou respeito e admiração global, citando a visita de cerca de 9 milhões de turistas estrangeiros no ano da COP30, realizada em Belém do Pará. "A COP30 foi um sucesso e consolidou o Brasil como liderança global no tema mais importante deste século. Mas também enfrentamos um desafio inédito: o Tarifaço contra o Brasil. Mas mostramos ao Brasil e ao mundo que somos do diálogo, da fraternidade e não fugimos da luta", disse, referindo-se a medidas protecionistas enfrentadas pelo país.
Lula ressaltou a aposta na diplomacia e em ações para proteger empresas e empregos. "Negociamos o fim do tarifaço, e ultrapassamos, agora em dezembro, a marca de 500 novos mercados abertos aos nossos produtos. Nossa soberania e nossa democracia saíram vencedoras e o povo brasileiro venceu", declarou.
Encerrando o pronunciamento, o presidente abordou a questão trabalhista, defendendo o fim da escala 6x1 sem redução salarial. "Não é justo que uma pessoa seja obrigada a trabalhar duro durante seis dias. E que tenha apenas um dia para descansar o corpo e a cabeça, passear com a família, cuidar da casa, se divertir e acompanhar de perto o crescimento dos filhos", argumentou Lula, prometendo continuar combatendo "privilégios de poucos para garantir direitos de muitos". "O fim da escala 6x1, sem redução de salário, é uma demanda do povo que cabe a nós, representantes do povo, escutar e transformar em realidade", finalizou.

