O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (18) que aguarda a análise e votação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) apenas no ano que vem, após o recesso parlamentar. A declaração foi dada em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, após o cancelamento da sabatina de Messias no Senado, que estava prevista para dezembro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, havia cancelado o calendário que incluía a sabatina, justificando que não recebeu a Mensagem Presidencial formalizando a indicação. Lula reconheceu que a votação não ocorrerá mais em 2023 e disse: "Vou encaminhar a papelada toda do [Jorge] Messias. Eu sei que não será mais votado este ano, a gente vai ter que esperar a volta do Congresso Nacional. O Poder Judiciário vai entrar de férias, o Congresso vai entrar de férias, só quem não vai entrar de férias sou eu. Então, eu vou fazer com que, quando voltar do recesso, o nome do Messias esteja lá e eu espero que haja a votação".

Durante a coletiva, Lula comentou sobre o interesse de Alcolumbre em indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF, mas ponderou que tinha planos para que o parlamentar concorresse ao governo de Minas Gerais. "O Senado queria indicar o companheiro Pacheco, que é um companheiro que tem muito mérito, que é uma pessoa que eu gosto pessoalmente, que é uma pessoa que eu sonhei em fazer o ser candidato para ganhar as eleições de Minas Gerais e ser governador de Minas Gerais", explicou.

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O presidente lembrou que a aposentadoria antecipada do então ministro Luís Roberto Barroso no STF causou uma "confusão" nas expectativas da escolha. "Não estava previsto, mas aconteceu um imprevisto. O Barroso pediu as contas do tribunal, se aposentou. Então, o companheiro Pacheco mudou de posição [sobre ser candidato a governador], e o companheiro Alcolumbre queria indicar, era um direito dele também, mas era um direito dele que propôs para mim. Ora, houve essa confusão, [mas] eu continuo com o nome do Messias", detalhou.

Lula voltou a defender a escolha de Messias, classificando-o como "uma pessoa altamente capacitada na relação com a Suprema Corte" e que seria "motivo de orgulho" para o país. Sobre sua relação com o Congresso Nacional, o presidente fez questão de elogiar a interlocução com a cúpula e negou haver problemas com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

"Não tem nada pessoal entre eu e o companheiro Alcolumbre. Eu sou amigo do Alcolumbre, gosto pessoalmente dele, ele tem nos ajudado de forma extraordinária a aprovar grande parte das coisas que a gente quer aprovar. É com ele que, muitas vezes, o [Fernando] Haddad [ministro da Fazenda] conversa, é com ele que muitas vezes a Gleisi [Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais] conversa. Então, não existe nada, não tem nenhuma crise entre eu e o Alcolumbre, entre eu e o Hugo Motta [presidente da Câmara dos Deputados]", afirmou.

A indicação de Messias para o STF segue em análise, com a expectativa de que o processo seja retomado após o recesso parlamentar, marcando mais um capítulo na relação entre o Executivo e o Legislativo no Brasil.