O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma agenda diplomática movimentada nesta quinta-feira (19) em Nova Délhi, na Índia, onde participa da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial. À margem do evento, Lula se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron, e outros líderes internacionais, discutindo desde cooperação bilateral até temas globais como governança da IA e segurança.

De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o encontro entre Lula e Macron tratou principalmente de temas da agenda bilateral entre Brasil e França. Os dois presidentes destacaram a cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia e comércio, avaliando que o intercâmbio comercial de US$ 10,3 bilhões, embora seja recorde, ainda está abaixo do potencial das duas economias.

Integração transfronteiriça e combate ao crime foram outros pontos abordados na reunião. Lula e Macron conversaram sobre os esforços conjuntos para enfrentar o narcotráfico, o garimpo ilegal e outras formas de crime transnacional na região da fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa. Na pauta global, os líderes discutiram paz, segurança e, naturalmente, inteligência artificial – tema central da cúpula que os reuniu.

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Durante o encontro, o presidente francês convidou Lula para participar da Cúpula do G7, marcada para os dias 15 e 16 de junho em Evian, na França. O convite reforça o papel do Brasil em fóruns internacionais de discussão sobre temas estratégicos.

Acordo Mercosul-União Europeia em pauta em outro encontro bilateral. Lula conversou com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković, sobre a implementação do acordo de livre comércio entre os dois blocos. Diferentemente de Macron, que se opõe abertamente ao acordo, Lula e Plenković manifestaram expectativa de que o instrumento entre em vigor o mais breve possível.

“Ambos concordaram com a importância estratégica do acordo no atual momento de recrudescimento do unilateralismo e do protecionismo comercial”, informou a nota da Presidência. O acordo, assinado em janeiro deste ano após mais de 20 anos de negociação, estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, com eliminação gradual de tarifas para mais de 90% do comércio bilateral.

Apesar da celebração por setores industriais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus – especialmente franceses – que temem a concorrência dos produtos sul-americanos. Após a assinatura formal, o processo de internalização depende ainda da aprovação pelos congressos nacionais dos países do Mercosul e do Parlamento Europeu, com possível atraso de até dois anos devido à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Ampliação da cooperação com o Sri Lanka também fez parte da agenda do presidente brasileiro. Em encontro com o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake, Lula discutiu os cenários econômicos dos dois países e a necessidade de aumentar a corrente comercial. Eles se comprometeram a elaborar uma pauta abrangente de cooperação, incluindo turismo, agricultura e comércio.

O comércio bilateral entre Brasil e Sri Lanka atingiu US$ 188 milhões em 2025, patamar inferior ao recorde de US$ 210 milhões alcançado em 2016. Lula convidou o presidente cingalês para visitar o Brasil em data a ser definida, buscando fortalecer os laços entre os dois países.

Lula desembarcou em Nova Délhi na quarta-feira (18), a convite do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Além da cúpula sobre inteligência artificial, sua agenda inclui participação em fórum empresarial e visita de Estado com Modi, com previsão de assinatura de diversos acordos. O presidente brasileiro permanece na capital indiana até sábado (21), seguindo depois para Seul, na Coreia do Sul, onde se reunirá com o presidente Lee Jae Myung e executivos de grandes empresas entre os dias 22 e 24 de fevereiro.