O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, mantiveram uma conversa telefônica de cerca de 45 minutos nesta quinta-feira (22). O diálogo, segundo informações do Palácio do Planalto, serviu para alinhar os principais temas que serão tratados durante a visita oficial que Lula fará à Índia entre os dias 19 e 21 de fevereiro. A viagem é considerada estratégica para o governo brasileiro, que busca ampliar e diversificar as relações comerciais e de cooperação com o país asiático.
Durante a ligação, os dois líderes discutiram a ampliação da cooperação bilateral em áreas consideradas prioritárias, como defesa, comércio, saúde, energia e ciência e tecnologia. Também foram abordados temas específicos como a exploração de minerais críticos e terras raras e a produção de biocombustíveis. Todos esses assuntos deverão ser aprofundados durante a visita presidencial de fevereiro.
A organização da viagem está a cargo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como parte dos esforços para ampliar as relações comerciais entre os dois países. O objetivo é fomentar a venda de produtos brasileiros e atrair mais investimentos indianos para o Brasil. O encontro também coincide com as negociações para a ampliação do acordo Mercosul-Índia, que ganha novo fôlego com a aproximação diplomática.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, deixou clara a importância que o governo atribui a esta missão. "O presidente está apostando muito nesta viagem", afirmou Viana durante entrevista coletiva. Ele foi ainda mais enfático ao apontar o potencial da relação com a Índia: "Se me perguntarem onde que acho que está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia".
Os números justificam o otimismo. A Índia possui uma população de cerca de 1,45 bilhão de habitantes, mais de seis vezes a população brasileira, representando um mercado consumidor gigantesco. Em 2025, o Brasil comprou quase US$ 8,5 bilhões em produtos indianos, enquanto as exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 7 bilhões. No entanto, a pauta de exportações brasileiras ainda é pouco diversificada, concentrando-se principalmente em petróleo (30%), açúcar e melaço (15%), gordura e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%).
"Queremos diversificar isto", afirmou Viana, citando produtos como óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e acessórios automobilísticos como possibilidades de expansão. Ele também destacou o interesse do presidente Lula em envolver a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a pequena agricultura brasileira em projetos de cooperação para ajudar a melhorar a produtividade dos milhões de pequenos produtores rurais indianos.
O interesse do setor privado brasileiro na viagem já é significativo. Quase 200 empresários já manifestaram interesse em integrar a comitiva presidencial, e a expectativa é que esse número aumente. "Vai passar disso. Faz apenas dois dias que abrimos as inscrições e o interesse do setor privado está muito grande", explicou Viana, ressaltando que os executivos custeiam suas próprias passagens e hospedagem.
Parte da agenda da comitiva incluirá encontros com representantes das maiores empresas indianas que já têm investimentos no Brasil. A expectativa é que essas empresas anunciem seus planos de investimento para os próximos quatro ou cinco anos durante a visita. Além disso, a ApexBrasil aproveitará a ocasião para inaugurar seu escritório em Nova Délhi, que será o 20º da agência espalhado por outros países, reforçando a presença institucional brasileira no mercado indiano.
A visita de Lula à Índia ocorre em um momento de reconfiguração das relações internacionais e de busca por novos parceiros estratégicos. O fortalecimento dos laços com a maior democracia do mundo e uma das economias que mais crescem no planeta é visto pelo governo brasileiro como uma oportunidade única para diversificar parcerias e ampliar a inserção internacional do Brasil.

