O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo contundente pela união dos países da América Latina e do Caribe durante discurso no Panamá nesta quarta-feira (28). Na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, Lula argumentou que a região só resolverá seus problemas históricos se enfrentá-los de forma conjunta, transformando suas riquezas naturais e humanas em instrumentos de desenvolvimento compartilhado.

"Seguir divididos nos torna todos mais frágeis", afirmou o presidente brasileiro logo no início de sua fala, direcionada a líderes e representantes de diversos países. Lula destacou que a região possui "credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais" para buscar uma presença mais relevante no cenário mundial, mas que falta convicção sobre os benefícios de um projeto autônomo de inserção internacional.

O discurso do presidente foi marcado por um tom pragmático e ao mesmo tempo visionário. Ele enumerou os ativos que poderiam dar materialidade a um "impulso integracionista", começando pelo potencial energético: reservas de petróleo e gás, hidroeletricidade, biocombustíveis, e energia nuclear, eólica e solar. "Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista", argumentou.

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Lula também citou a Amazônia – "a maior floresta tropical do planeta" –, as condições favoráveis para produção de alimentos, os avanços científicos e tecnológicos regionais, e os "recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital". Sobre estes últimos, foi enfático: "minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, e se tivermos coragem de construir parcerias, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento em nossos países".

O presidente lembrou que, juntos, os países da região formam um mercado consumidor de mais de 660 milhões de pessoas, não têm conflitos graves entre si e são predominantemente governados por líderes democraticamente eleitos. Para ele, esses fatores criam um ambiente único para uma integração baseada na pluralidade. "Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém", defendeu.

Em um dos momentos mais emocionados do discurso, Lula fez uma reflexão histórica: "Temos 525 anos de história. Muitas vezes a colonização não estará na interferência de outro, mas na formação cultural que o nosso povo teve. Precisamos mudar de comportamento". E concluiu com um chamado à ação: "Vamos criar um bloco. Um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome em nossos países".

O presidente brasileiro foi o segundo a discursar no fórum, logo após o presidente anfitrião, José Raúl Mulino, do Panamá. Como convidado especial, Lula teve papel de destaque na sessão de abertura do evento, que segue até o dia 30. A expectativa era que o presidente retornasse ao Brasil ainda nesta quarta-feira, ao final do dia.

O discurso de Lula no Panamá ocorre em um momento de intensa agenda internacional do presidente, que inclui viagem marcada a Washington em março para encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de recentes conversas com líderes como o presidente francês, Emmanuel Macron, sobre o Conselho da Paz proposto por Trump. A defesa da integração regional aparece como eixo central da política externa brasileira no atual governo.