O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (5) que o fortalecimento da democracia e a melhoria das condições de vida da população devem ser as principais preocupações em relação à Venezuela, e não o retorno do presidente Nicolás Maduro, que segundo ele está "sequestrado e preso pelo governo dos Estados Unidos". Em entrevista ao Portal UOL, Lula defendeu que a prioridade é criar condições para que os cerca de 8 milhões de venezuelanos que deixaram o país possam voltar.
"Essa [volta de Maduro ao país] não é a preocupação principal. A preocupação principal é a seguinte: há possibilidade de a gente fortalecer a democracia na Venezuela e as 8 milhões de pessoas que estão fora de lá, voltarem à Venezuela? Há condições de a democracia ser efetivamente respeitada na Venezuela e a população possa participar ativamente?", questionou o presidente.
Lula reforçou que a América do Sul deve ser mantida como uma zona de paz, sem conflitos armados como os observados em outras regiões do mundo. Em suas palavras ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele destacou: "O que estamos dizendo ao Trump é que a América do Sul é uma zona de paz. A gente não tem bomba atômica, a gente não tem armas nucleares. O que a gente quer é crescer economicamente, fortalecer o processo democrático e melhorar a vida de milhões de latino-americanos. Porque a América Latina não pode continuar a ser uma parte do mundo pobre."
O presidente brasileiro também relembrou uma conversa com Trump em janeiro, na qual defendeu que os venezuelanos devem ser os responsáveis por resolver os problemas do país. "Eu disse ao presidente Trump: quem vai resolver os problemas da Venezuela são os venezuelanos. Eles têm que assumir a responsabilidade", afirmou Lula.
Além das questões venezuelanas, Lula comentou sobre o convite recebido de Trump para participar do "Conselho da Paz", criado pelo estadunidense com a tarefa de reconstruir Gaza. No entanto, o presidente brasileiro criticou a composição do conselho, que não inclui representantes da Palestina, e o projeto de reconstrução que, segundo ele, se assemelha mais a um "resort" do que a uma reconstrução efetiva.
"Eu disse ao Trump que se o conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo interesse em participar. Agora, é muito estranho que não tenha um palestino na direção desse conselho. É muito estranho que a proposta apresentada de reconstrução de Gaza seja mais de um resort do que de reconstrução de Gaza. Eu quero saber quem é que vai reconstruir as casas, os hospitais, as padarias que foram detonados", questionou Lula.
O presidente completou que conversou com Mahmoud Abbas, chefe da Autoridade Palestina, reafirmando o interesse do Brasil em participar, mas com a condição de que os palestinos estejam representados. "Falei com o chefe da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que o Brasil tem todo interesse em participar, mas é preciso que os palestinos estejam na mesa. Senão, não é uma comissão de paz", finalizou.

