O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O teor da conversa, que durou 50 minutos, foi divulgado pelo Palácio do Planalto em nota oficial. Durante o diálogo, Lula fez duas propostas concretas relacionadas ao Conselho da Paz, colegiado idealizado, criado e presidido por Trump.
A primeira sugestão do presidente brasileiro foi que Trump incluísse um assento para a Palestina no Conselho da Paz. A segunda foi que o conselho se limitasse a discutir questões relacionadas especificamente à Faixa de Gaza. Lula foi um dos líderes convidados a ocupar um assento no conselho, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em um evento em Salvador, ele chegou a criticar a proposta de criação do Conselho da Paz, afirmando que "Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono".
Além das propostas sobre o Conselho da Paz, Lula reforçou durante a conversa a importância de uma reforma abrangente na Organização das Nações Unidas (ONU), ampliando o número de membros permanentes do Conselho de Segurança. Esta posição já havia sido defendida pelo Brasil em diversos fóruns internacionais.
Os dois presidentes também trataram de questões relacionadas à Venezuela. Lula reiterou o que já vem falando sobre o assunto: a importância de manter a paz no continente. Além disso, o presidente brasileiro voltou a propor um fortalecimento na cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado.
"Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano", afirmou o Planalto na nota oficial.
Ainda de acordo com o Planalto, Lula e Trump também conversaram sobre o estreitamento da relação entre Brasil e Estados Unidos, e como isso se reflete positivamente na economia. "O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros".
Os dois líderes se encontraram pessoalmente pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro. Foi um rápido encontro e cumprimento, mas o norte-americano afirmou ter tido uma "química excelente" com Lula. Ambos se encontraram novamente em outubro, na 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia. Dessa vez, puderam sentar e conversar em uma reunião classificada como "muito positiva" pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. No mês seguinte ao encontro, os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de 40% sobre vários produtos brasileiros.
Durante a conversa telefônica desta segunda-feira, ficou combinada uma visita de Lula aos Estados Unidos. Não foi definida uma data específica, mas a visita deve ocorrer após a viagem do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, programada para fevereiro. A conversa marcou mais um capítulo no relacionamento entre os dois líderes, que vem se desenvolvendo desde o início do atual governo brasileiro.

