O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma conversa telefônica, nesta quinta-feira (22), com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para discutir a situação na Faixa de Gaza. O contato foi divulgado pelo Palácio do Planalto, que emitiu uma nota oficial sobre o diálogo entre os dois líderes.

Na ligação, Lula e Abbas abordaram principalmente o cenário no enclave palestino, que sofreu intensa destruição pelas forças militares de Israel nos últimos anos, com um saldo de mais de 68 mil mortos. O presidente brasileiro expressou satisfação com o cessar-fogo obtido em Gaza, que foi acordado em outubro do ano passado entre o governo israelense e o grupo político armado Hamas, que governava o território na época.

"Ao expressar satisfação quanto ao cessar-fogo obtido em Gaza, o presidente Lula consultou o presidente Abbas sobre as perspectivas de reconstrução da região e reiterou o compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio. Ambos trocaram impressões sobre o plano de paz em curso e acordaram continuar mantendo contato sobre o tema", informou o Planalto, sem fornecer detalhes adicionais sobre a conversa.

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O cessar-fogo de outubro visava interromper o derramamento de sangue que vitimou especialmente mulheres e crianças palestinas. No entanto, apesar do acordo, bombardeios e tiroteios têm sido registrados em Gaza recentemente, conforme relatos de integrantes de agências das Nações Unidas que atuam na região. Essa situação de tensão persistente foi um dos pontos abordados na conversa entre os presidentes.

Mais cedo, também nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, lançou oficialmente o que chama de Conselho de Paz, um órgão que busca, segundo suas palavras, pacificar e reconstruir Gaza. O lançamento ocorreu durante o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, e Lula foi um dos cerca de 60 chefes de Estado e líderes internacionais convidados a compor o colegiado.

No ano passado, Mahmoud Abbas, cujo governo exerce autoridade sobre a Cisjordânia, mas não governa Gaza, defendeu em entrevista à rede árabe Al-Jazeera que qualquer plano de paz para o enclave só poderia ser duradouro se garantisse a soberania palestina sobre o território. Até o momento, no entanto, os planos de Trump para Gaza incluem um comitê executivo de administração sem palestinos no comando, o que gera preocupações sobre a efetiva participação local no processo.

A conversa entre Lula e Abbas ocorre em um contexto internacional marcado por iniciativas divergentes sobre o futuro de Gaza. Enquanto o Conselho de Paz de Trump propõe uma estrutura de administração sem liderança palestina, o diálogo entre Brasil e ANP reforça a importância da reconstrução com soberania local. O compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio, reiterado por Lula, se alinha com posições históricas do país na defesa de soluções negociadas e inclusivas para conflitos regionais.

O contato também reflete a atuação diplomática do governo brasileiro em fóruns multilaterais, onde o país tem buscado ampliar sua participação em discussões sobre segurança global e reconstrução pós-conflito. A inclusão de Lula no Conselho de Paz de Trump, ainda que simbólica, indica o reconhecimento internacional do Brasil como ator relevante nessas negociações.

Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza continua crítica, com desafios imensos de reconstrução de infraestrutura, retomada de serviços básicos e apoio às vítimas do conflito. A conversa entre os presidentes brasileiro e palestino sinaliza que o tema permanece na agenda diplomática do Brasil, com possíveis desdobramentos em futuras articulações internacionais.