O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve um contato telefônico, na manhã de sábado (3), com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu o comando interino do país após a invasão militar dos Estados Unidos (EUA) em Caracas. A ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cília Flores. Segundo informações do Palácio do Planalto, a conversa tratou da situação política daquele momento, sem mais detalhes divulgados.
Desde o dia 4, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, consolidando sua posição após a crise desencadeada pela intervenção norte-americana. A invasão, que ocorreu em Caracas, foi um evento marcante que alterou drasticamente o cenário político venezuelano, com repercussões internacionais imediatas.
Em carta pública endereçada ao presidente dos EUA, Donald Trump, a presidente interina classificou como prioritário avançar para um relacionamento "equilibrado e respeitoso" com o país norte-americano, "baseado na igualdade e não na ingerência". Essa declaração reflete a busca por um diálogo que respeite a soberania venezuelana, em meio às tensões geopolíticas.
Já pelo lado de Trump, houve indicação de que os EUA pretendem exigir que seus interesses sejam atendidos pelo governo interino da Venezuela. O presidente dos EUA já deixou claro que quer controlar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo, o que pode influenciar as negociações e a estabilidade regional.
Maduro e Cília Flores, sequestrados em Caracas e levados à Nova York, onde estão detidos em um presídio federal, passaram por audiência de custódia no Tribunal Federal da cidade. Eles foram notificados de maneira oficial sobre seus supostos crimes. O casal está detido em um presídio federal no bairro do Brooklyn, também em Nova York, aguardando os desdobramentos legais.
Maduro e sua esposa são acusados de comandar um governo corrupto e sem legitimidade. Também há acusações de promover o narcoterrorismo e conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. As acusações, no entanto, não trazem provas concretas até o momento, levantando questões sobre a legalidade e os motivos por trás da detenção.
Notícias relacionadas destacam que o direito internacional não foi respeitado em ataque dos EUA à Venezuela, e após a Venezuela, Trump ameaçou tomar Groenlândia e atacar Colômbia, mostrando um padrão de ações agressivas. A presidente interina da Venezuela defende uma agenda de colaboração, buscando estabilidade e cooperação internacional em meio à crise.
Este episódio coloca em evidência as complexas relações diplomáticas e os interesses econômicos em jogo, com o Brasil, através de Lula, mantendo um canal de comunicação que pode ser crucial para mediar ou influenciar os próximos passos na região. A situação continua a se desenvolver, com observadores atentos aos impactos na política sul-americana e global.

