O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta nesta sexta-feira (6) sobre o que considera ser uma batalha crucial para o país nos próximos anos. Durante evento em Salvador, na Bahia, ele afirmou que 2026 será um ano de disputa entre verdades e mentiras, mas acredita que "a verdade prevalecerá graças à mobilização das pessoas para desmascarar informações falsas".

"Este ano, se preparem, porque será o ano da disputa entre a verdade e a mentira, entre quem fez e quem não fez; entre quem fala a verdade e quem mente", disse o presidente, em discurso que misturou críticas à desinformação com anúncios de investimentos na saúde pública.

Lula participava do lançamento de ações do Novo PAC Saúde voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Na solenidade, ele lembrou que até mesmo o SUS é alvo de mentiras desde sua criação. Segundo ele, mentiras eram espalhadas com o propósito de desacreditar o programa, principalmente por aqueles que não precisavam de hospitais públicos para fazer tratamentos de saúde.

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"Vocês sabem que o SUS foi atacado desde ele foi criado. Pessoas que não o usavam criticavam; pessoas que nunca iam ao SUS fazer consulta diziam que ele não prestava. E a imprensa dava corda. Só mostrava gente dormindo no corredor", disse o presidente, acrescentando: "Mas veio a Covid e, se não fosse o SUS, esse país estava acabado".

O presidente foi além na crítica ao que chamou de "indústria da mentira". Segundo ele, há, no Brasil, "uma verdadeira indústria de contar mentira" que precisa ser combatida com a ajuda de autoridades e da sociedade. "2026 será ano da verdade. É o ano que a gente vai ter de provar que a verdade e o bem podem vencer o mal e a mentira", discursou.

Nesse sentido, acrescentou, "cabe a cada prefeito, vereador, dirigente sindical, mulheres e homens não permitir que haja prevalência da mentira, porque não é possível conviver com a quantidade de mentira que essa gente coloca todo santo dia". "Vamos desmascarar essa gente", complementou, referindo-se àqueles que se dizem falar em nome de Deus, mas que, reiteradamente, "se mostram a favor da morte e da mentira".

O evento em Salvador marca, segundo o Planalto, "o início de um conjunto de investimentos estruturantes que ampliam o acesso a exames, cirurgias e transporte de pacientes, com impacto direto na rede pública de saúde da Bahia e de todo o país".

No evento, o governo anunciou a compra de 2,1 mil veículos para transporte de pacientes do SUS. Foram investidos R$ 815 milhões em recursos da frente do Novo PAC Saúde chamada Agora Tem Especialistas, os Caminhos da Saúde. Foram adquiridos 700 micro-ônibus, 700 vans e 700 ambulâncias de suporte básico para os casos que exigem maior cuidado.

"Esses veículos estarão disponíveis para levar pacientes até os serviços especializados, com prioridade para o cuidado ao câncer. A previsão é que todo esse quantitativo seja entregue em 2026", detalhou o Planalto.

Também durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou contratos autorizando a compra de 80 novos tomógrafos, ao custo de R$ 170 milhões. O governo anunciou, ainda, a compra de 150 combos de equipamentos voltados a cirurgias gerais e de oftalmologia. O equipamento terá como destino hospitais públicos em cerca de 120 municípios.

Está prevista também a aquisição de 10 mil combos de equipamentos para unidades básicas de saúde. Entre os equipamentos, estão câmaras frias para vacinas, balanças digitais e laser terapêutico para o tratamento de feridas e reabilitação – cerca de 180 mil aparelhos.

As declarações do presidente ocorrem em um contexto de crescente preocupação com a desinformação no país. Recentemente, a Polícia Federal (PF) anunciou investigações sobre a origem de fake news sobre programas sociais, enquanto a Receita Federal precisou desmentir boatos sobre novos impostos para aluguéis por temporada.

O discurso de Lula também ecoa outras preocupações manifestadas pelo governo, como a necessidade de implementar efetivamente leis contra violência de gênero – tema de um pacto contra o feminicídio mencionado pelo presidente em outras ocasiões.

Para especialistas em comunicação política, o alerta sobre 2026 não é casual. O ano marca as próximas eleições municipais no Brasil, período em que tradicionalmente aumenta a circulação de informações falsas nas redes sociais e aplicativos de mensagem.

O evento na Bahia serviu, portanto, como palco para duas mensagens centrais do governo: o combate à desinformação e o reforço ao SUS como política pública essencial para os brasileiros. Resta saber como essas duas frentes – uma simbólica e outra concreta – se desenvolverão nos próximos anos.