O Living Colour celebrou quatro décadas de estrada com um show que mostrou toda a potência de sua maturidade no palco do Tokio Marine Hall, em São Paulo, nesta sexta-feira (27). A apresentação, descrita como uma festa técnica e emocional, foi liderada pelo vocalista Corey Glover, cuja voz permanece um fenômeno capaz de atingir notas altíssimas com facilidade impressionante.

A noite começou com a tensão dramática de "The Imperial March" servindo como tapete vermelho para o grupo. Quando os primeiros acordes de "Leave It Alone" e "Go Away" rasgaram o som, ficou claro que o público testemunharia algo especial. O setlist foi uma viagem cirúrgica pela discografia da banda, equilibrando o peso social de "Stain" com o brilho de "Vivid".

A química do quarteto se mostrou única, com o virtuosismo e solos fritados do guitarrista Vernon Reid, os efeitos criativos e a consistência do baixista Doug Wimbish, além do groove e conhecimento musical do baterista Will Calhoun. A dobradinha "Ignorance Is Bliss" e "Middle Man" mostrou Reid em estado de graça, despejando solos que misturam o caos do jazz com a agressividade do metal.

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Um dos momentos mais bonitos da noite veio com a tríade de mensagens potentes: a densa "Memories Can't Wait" (cover do Talking Heads que eles tomaram para si), a sempre atual "Open Letter (to a Landlord)" e uma surpreendente versão de "Hallelujah", de Leonard Cohen. A seção rítmica de Wimbish e Calhoun provou ser matadora, com Calhoun inclusive tocando "Baianá", do grupo brasileiro de percussão corporal Barbatuques, em seu momento solo.