O Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen-PR) deu um salto tecnológico que promete revolucionar a resposta a surtos de doenças diarreicas no estado. Com uma modernização completa de sua estrutura e a implantação de uma nova metodologia de diagnóstico, o laboratório consegue agora apontar a causa de quadros gastrointestinais em cerca de uma hora, um tempo significativamente menor que as três horas necessárias anteriormente. A mudança, em operação desde junho de 2025, fortalece as ações de vigilância em saúde e permite uma atuação mais rápida e precisa no controle de surtos.

A agilidade não é o único avanço. A capacidade de análise do Lacen-PR foi ampliada de forma expressiva. Antes, o laboratório investigava 11 patógenos em uma amostra clínica. Agora, por meio de painéis de biologia molecular, é possível rastrear simultaneamente 22 agentes causadores, incluindo vírus, bactérias e parasitas. Essa abrangência maior permite um mapeamento mais completo das causas dos surtos, que podem ter origem alimentar ou viral.

Decisões rápidas para conter a disseminação

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Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a rapidez no diagnóstico é um elemento estratégico. "O Lacen tem papel estratégico na resolução de surtos. Por isso, investimos em tecnologias que permitam identificar a fonte do problema em menor tempo, possibilitando que as medidas de controle sejam adotadas de forma mais eficaz", explicou. A identificação precisa e célere do agente causador é fundamental para orientar a tomada de decisões pelas autoridades sanitárias, ajudando a conter a propagação da doença e a proteger a população.

Entendendo os surtos: origem alimentar e viral

Um surto é caracterizado quando duas ou mais pessoas apresentam doença ou sintomas semelhantes após consumirem alimentos ou água de mesma origem, geralmente em locais como restaurantes, festas, residências, creches ou ambientes de trabalho. Também se configura como surto quando um município registra um aumento repentino no padrão semanal de casos.

Na via de transmissão alimentar, a contaminação ocorre pelo consumo de água ou alimentos que abrigam micro-organismos. Em temperaturas mais altas, comuns no verão, essa multiplicação é facilitada, podendo levar a sintomas como vômitos e diarreia. Bactérias como a Salmonella, frequentemente associada a ovos, e a Campylobacter, presente em frango cru, são exemplos clássicos que costumam afetar grupos que ingeriram o mesmo alimento.

"Na investigação desses casos, também é fundamental avaliar a presença de toxinas. Informações como o tipo de alimento ingerido, o intervalo entre o consumo e o início dos sintomas, além do quadro clínico apresentado, orientam a escolha do microrganismo a ser pesquisado e o tipo de amostra a ser analisada", detalha o diretor técnico da área de Vigilância Sanitária e Ambiental do Lacen-PR, André Dedecek.

O desafio dos surtos virais

Já os surtos de origem viral, como os causados pelo norovírus, se disseminam principalmente de pessoa para pessoa. A transmissão ocorre por meio de mãos contaminadas, contato direto, gotículas de espirro e também pela contaminação da água e de superfícies. Essa característica favorece a propagação rápida em ambientes coletivos, como escolas, asilos e refeitórios.

Diante dessa alta capacidade de disseminação, a diretora técnica do Lacen-PR, Lavinia Arend, reforça que a proteção mais eficaz continua sendo a adoção de medidas simples de higiene no dia a dia. "Por essa razão, a higienização adequada das mãos, o cuidado com a limpeza de superfícies e o consumo de água tratada são medidas fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e proteger a população", completa. A conduta individual, portanto, tem um impacto direto na redução do número de casos.

A modernização do Lacen-PR representa um avanço concreto para a saúde pública paranaense. Ao unir tecnologia de ponta, agilidade no diagnóstico e uma visão abrangente dos patógenos, o estado se fortalece no enfrentamento de surtos, garantindo respostas mais rápidas e eficazes para proteger a população.