A Justiça do Rio de Janeiro determinou a revogação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do bicheiro Rogério Andrade, que deixará a penitenciária de segurança máxima em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, onde estava preso desde novembro do ano passado, e retornará para um presídio no estado do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que entendeu que Andrade não tem perfil para continuar no sistema penitenciário federal.

O relator do processo, desembargador Marcius da Costa Ferreira, que assinou a decisão, destacou que o RDD possui natureza excepcionalíssima e só deve ser aplicado quando verificada sua efetiva indispensabilidade. Em sua fundamentação, ele afirmou: "O custodiado não apresenta perfil compatível aos critérios do sistema penitenciário federal, evidenciando a existência de constrangimento ilegal, determino a transferência do paciente para o sistema prisional do estado do Rio para cumprimento da custódia cautelar".

Apesar da revogação do regime diferenciado, a prisão preventiva de Rogério Andrade foi mantida, com a Justiça ressaltando que "o decreto de prisão não descaracteriza a continuidade das investigações, ficando evidenciada a subsistência de riscos concretos à ordem pública e à instrução criminal". Andrade foi preso em outubro de 2024, acusado de ser o mandante do assassinato de Fernando Iggnácio, ocorrido em 2020.

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O crime que levou à prisão de Rogério Andrade aconteceu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio. Iggnácio foi atingido por três tiros de fuzil, um deles na cabeça, morrendo instantaneamente. O atirador estava escondido em um terreno baldio ao lado do local, e a motivação estaria ligada a disputas familiares pelo controle do jogo do bicho.

Rogério Andrade é sobrinho de Castor de Andrade, uma das figuras mais emblemáticas do jogo do bicho no Rio de Janeiro e patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Com a morte de Castor, em 1997, devido a problemas cardíacos, iniciou-se uma acirrada disputa pela herança, que envolveu Paulinho de Andrade, filho de Castor, assassinado na Barra da Tijuca em 1998 – crime atribuído a Rogério –, e Fernando Iggnácio, casado com a filha de Castor.

A transferência de Rogério Andrade para o sistema prisional do Rio marca mais um capítulo na trajetória do bicheiro, cujo nome está intrinsicamente ligado às histórias de poder, violência e heranças no submundo do crime organizado carioca. A decisão judicial reforça a aplicação criteriosa do RDD, reservado para casos de extrema gravidade, e mantém o foco nas investigações sobre os crimes atribuídos a ele.