O julgamento de dois dos réus pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, teve início nesta segunda-feira (13) no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos respondem pelo crime que chocou a Bahia em 2023, quando a matriarca de 72 anos foi executada com 25 tiros dentro de casa, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.

Inicialmente previsto para fevereiro, o julgamento foi adiado após a defesa solicitar troca de advogados. Os réus são acusados de homicídio qualificado cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também responde pelo crime de roubo. Enquanto Arielson, réu confesso, já está preso, Marílio dos Santos encontra-se foragido.

Desde o início da manhã, integrantes do movimento negro, familiares e amigos de Mãe Bernadete realizaram um protesto em frente ao fórum, cobrando justiça pelo crime que completa quase um ano. O advogado da família Pacífico, Hédio Júnior, afirmou em redes sociais que a expectativa é pela condenação à pena máxima. "O mundo precisa ter um resultado, que seja a condenação à pena máxima. As provas são irrefutáveis", declarou o advogado, citando reconhecimento por testemunhas, confissões, grampos telefônicos e provas periciais.

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Em entrevista à Agência Brasil em fevereiro, o ativista e filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico, também expressou esperança por justiça. "Minha expectativa é que se comece a se fazer justiça para esse assassinato bárbaro. Minha mãe era uma pessoa de 72 anos que sempre atuou em defesa dos direitos humanos", disse ele, que planejava chegar cedo ao tribunal.

O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, quando homens armados invadiram a comunidade quilombola, mantiveram familiares reféns e executaram a ialorixá. Mãe Bernadete era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e voz ativa na defesa do território, no combate ao racismo e na busca por respostas pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, assassinado em 2017.

O assassinato aconteceu mesmo após a vítima denunciar frequentes ameaças. Ela fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, evidenciando os riscos que enfrentava por sua atuação.

Três outras pessoas denunciadas pelo Ministério Público da Bahia - Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último acusado de ser mandante do crime - ainda não têm data marcada para julgamento. A família de Mãe Bernadete já foi indenizada pelo Estado baiano após o assassinato, mas o processo judicial segue como etapa crucial para responsabilização direta dos acusados.