Quem ficou no Rio de Janeiro durante este feriado prolongado do Dia da Consciência Negra, comemorado nesta quinta-feira (20), tem uma opção cultural e educativa imperdível. O Jardim Botânico da cidade preparou uma programação especial no seu museu que segue até o próximo domingo (23), com eventos gratuitos dedicados à Semana da Consciência Negra.

De acordo com a organização, o eixo central das atividades é o resgate de práticas afro-diaspóricas, originárias das populações africanas que migraram para outros cantos do planeta, por meio da arte e da ciência. A programação inclui oficinas, contações de histórias, teatro, jongo e visitas educativas, todas com foco na valorização da cultura negra.

Nesta quinta-feira (20), a atividade inaugural abordou o tema Saberes Ancestrais: entre ervas e sais, uma oficina onde os visitantes produziram sachês de escalda-pés inspirados em antigas práticas de cuidado e relaxamento, mostrando como conhecimentos tradicionais podem ser aplicados no dia a dia.

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Para esta sexta-feira (21), está programada a atividade Plantando Histórias: Baobá, que começa com a apresentação de um teatro de sombras sobre a árvore sagrada, seguida de uma aula de jongo ao ar livre com a Companhia de Aruanda, celebrando o ritmo e a dança de origem afro-brasileira. O jongo é uma manifestação cultural reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil, e a atividade promete envolver o público em uma experiência vibrante.

No sábado (22), o Museu do Jardim Botânico oferece a oficina Saberes Ancestrais: Adinkras, que explora o sistema de símbolos dos povos Akan, um dos principais grupos étnicos da África Ocidental, originários de regiões que hoje compreendem Gana, Costa do Marfim, Togo e Benin. Esses símbolos serviam como forma de comunicação e registro, e os Akan, trazidos para o Brasil como escravos, tiveram impacto significativo na formação da cultura brasileira, especialmente na música, dança, religião e culinária. A oficina é uma oportunidade para entender como esses elementos culturais resistiram e se transformaram ao longo do tempo.

Também no sábado, o público poderá assistir ao espetáculo Contos de Orí, uma apresentação teatral que mistura elementos naturais — como terra, argila e água — a narrativas iorubanas, com interpretação em Libras, garantindo acessibilidade para pessoas surdas. A peça reforça a conexão entre natureza e tradição, temas centrais na cultura afro-brasileira.

Para encerrar a programação no domingo (23), está prevista uma visita educativa chamada Da Floresta ao Laboratório, que apresenta às crianças e famílias o caminho da pesquisa científica no Jardim Botânico, aproximando biodiversidade e conhecimento tradicional. A atividade busca mostrar como o saber ancestral se entrelaça com a ciência moderna, promovendo uma reflexão sobre a importância da preservação cultural e ambiental.

A iniciativa do Jardim Botânico do Rio se alinha a outras notícias recentes sobre o Dia da Consciência Negra, como debates sobre operações policiais, o lançamento de um filme por professores da USP e alertas da Fundação Cultural Palmares sobre racismo sistêmico no país. Ao oferecer uma programação diversa e acessível, o espaço não só celebra a data, mas também fortalece a conscientização sobre a contribuição africana para a sociedade brasileira, incentivando o público a explorar essas raízes de forma lúdica e educativa.

Os eventos são gratuitos e abertos a todas as idades, com horários divulgados no site do Jardim Botânico. Para quem está na cidade, é uma chance de mergulhar na riqueza da cultura negra em um ambiente que combina natureza, arte e história, reforçando a importância do resgate e da valorização das tradições afro-brasileiras.