Assim como um mágico desvia o olhar do público para criar ilusão, o grande trunfo da cinebiografia "Michael" está no talento e na impressionante semelhança de Jaafar Jackson com seu tio, o Rei do Pop. Desde o início, era claro que o filme não abordaria assuntos delicados da vida do artista, com o diretor Antoine Fuqua trabalhando sob supervisão rigorosa da família para manter o foco na trajetória artística.

O momento mais impactante ocorre na transição entre Juliano Valdi, que interpreta a infância de Michael nos Jackson Five, e Jaafar Jackson como o artista jovem adulto. A semelhança física entre tio e sobrinho é imediata e surpreendente. Filho de Jermaine Jackson (irmão de Michael e também músico solo), Jaafar buscava seu espaço na música até ser escalado para o papel que parece destinado: reviver o tio no cinema.

Mais do que a aparência, Jaafar demonstra habilidades vocais em cenas a cappella, domínio da dança em coreografias icônicas como "Billie Jean" e "Thriller", e sensibilidade na atuação. Sua performance cria a ilusão perfeita de estar diante do próprio Michael Jackson, tornando-se o ponto alto de um filme que escolheu celebrar o legado artístico em vez de explorar controvérsias.

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