Israel e Irã lançaram novos ataques um contra o outro na sexta-feira (20), em mais uma escalada de um conflito que já se arrasta há semanas e tem impactado a economia global. Os confrontos ocorreram um dia após Teerã atingir uma refinaria de petróleo israelense e depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou Israel contra novos ataques a um campo de gás offshore iraniano compartilhado com o Catar.

Segundo os militares israelenses, Israel atacou Teerã, tendo como alvo a "infraestrutura do regime terrorista iraniano", em uma breve declaração que não forneceu detalhes. Do outro lado, o Irã disparou diversos mísseis contra Israel, acionando sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, enquanto explosões de interceptores de defesa aérea ecoavam pela cidade.

Os ataques fazem parte de uma guerra que matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano, e se espalhou pelo Oriente Médio desde que Estados Unidos e Israel lançaram seu ataque conjunto em 28 de fevereiro. A situação tem gerado reações internacionais, com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que cobrará o Conselho de Segurança da ONU sobre o conflito.

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Além disso, os Emirados Árabes Unidos relataram uma "ameaça de míssil" no início de sexta-feira, coincidindo com o início das comemorações do feriado de Eid al-Fitr, que marca o fim do mês sagrado do Ramadã para os muçulmanos. O Kuwait também entrou na lista de afetados, com uma refinaria de petróleo no Estado do Golfo sendo atingida por um ataque de drones.

Escalada da crise energética

Os últimos ataques ocorrem após dias de ofensivas iranianas contra a infraestrutura regional de energia, o que tem agitado os mercados globais. Os preços da energia subiram na quinta-feira depois que o Irã respondeu a um ataque israelense a um importante campo de gás atingindo a cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, que processa cerca de um quinto do gás natural liquefeito do mundo, causando danos que levarão anos para serem reparados.

O principal porto da Arábia Saudita no Mar Vermelho, onde o país conseguiu desviar algumas exportações para evitar o fechamento do ponto de saída do Golfo pelo Irã, o Estreito de Ormuz, também foi atacado na quinta-feira. Esse estreito é normalmente o canal para um quinto dos suprimentos de petróleo do mundo, tornando os ataques especialmente preocupantes para a economia global.

No entanto, os preços do petróleo caíram nesta sexta-feira, uma vez que os países ocidentais e o Japão se ofereceram para ajudar a garantir a passagem segura dos navios pelo estreito, e os Estados Unidos delinearam medidas para aumentar a produção de petróleo. Mesmo assim, os ataques às instalações regionais de energia ressaltaram a capacidade contínua do Irã de cobrar um preço alto pela campanha israelense-americana e os limites das defesas aéreas para proteger os ativos de energia mais valiosos e estratégicos do Golfo.

A guerra contra o Irã já se espalhou por várias frentes, com notícias relacionadas indicando que o Irã voltou a atacar o Catar após Trump ameaçar destruir o campo de gás Pars, e que as negociações de paz na Ucrânia estão paralisadas em meio ao conflito no Irã. A situação continua volátil, com a comunidade internacional acompanhando de perto os desdobramentos que podem afetar a segurança e a estabilidade em todo o Oriente Médio e além.