Milhares de iranianos foram às ruas no último domingo (11) e segunda-feira (12) em atos de apoio ao regime da República Islâmica e para criticar os distúrbios que vêm sacudindo o país. Os protestos antigovernamentais, que começaram em dezembro do ano passado, já teriam causado a morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança, segundo levantamentos não oficiais.
O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, sugeriu uma invasão ao Irã para "ajudar" os manifestantes alvos da repressão estatal. Em declaração no domingo (11), Trump informou que os militares dos EUA estão avaliando opções de ação em relação ao país persa. "Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito sólidas. Tomaremos uma decisão. Talvez tenhamos que agir antes da reunião [com Teerã]", disse Trump a repórteres.
Por outro lado, o governo iraniano divulgou vídeos de manifestantes armados nas ruas do país, acusando-os de vandalismo e de agir a mando de "estrangeiros" para justificar uma invasão pelos EUA e por Israel. Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que declararam apoio aos protestos para mostrar os vídeos, que incluem cenas de vandalismo contra carros, prédios e bloqueio de ruas.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou em entrevista a uma TV estatal que o protesto pacífico é tolerado no país, mas que os distúrbios dos últimos dias são provocados por "terroristas do estrangeiro". "Alguns policiais foram mortos a tiros, alguns foram decapitados, alguns foram queimados vivos. Os terroristas destruíram lojas e o mercado", disse o chefe de Estado. Autoridades iranianas acusam os serviços secretos dos EUA (CIA) e de Israel (Mossad) de incitar os distúrbios.
O jornalista, cientista político e professor de relações internacionais, Bruno Lima Rocha, avalia que o que era um protesto legítimo contra o aumento do custo de vida se tornou uma ameaça externa de bombardeio pelos EUA. "Diante de uma questão de soberania, a população foi convocada pelas forças que compõem a República, e tem essa multidão na rua", disse Rocha, que também é editor da Hispan TV Brasil, mídia iraniana sediada no Brasil.
Rocha destaca que os protestos começaram no final de dezembro, desencadeados pelo fim dos subsídios para importação de alimentos, o que elevou a inflação e afetou o custo de vida. "Era protesto econômico, estava dentro das regras do jogo da república. A repressão foi pequena no começo, quase nula", explicou. Na avaliação do especialista, os protestos descambaram para violência devido a fatores como ação de grupos separatistas, frustração de jovens e incentivos externos.
O especialista avalia que a violência dos distúrbios e a declaração de Trump isolaram os protestos antigovernamentais. "Parece que tem uma política de incentivo para elevar o nível de violência e, quem sabe, fazer o país ser atacado de novo. Isso isola o protesto e fica como se fosse uma traição nacional", completou Bruno. Ele finalizou ressaltando que, enquanto o Irã não se subordinar à hegemonia do Ocidente, o país será visto como alvo permanente do imperialismo.

