O Irã voltou a atacar instalações de gás natural no Catar na madrugada desta quinta-feira (19), em mais um capítulo da escalada de tensões que tem abalado a região do Golfo Pérsico. O ataque ocorreu poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar destruir completamente o campo de gás South Pars, o maior do mundo, que o Irã divide com o Catar e que já havia sido alvo de ataques israelenses no dia anterior.
A empresa petroleira Catar Energy confirmou que várias de suas instalações de gás natural liquefeito (GNL) foram atingidas por mísseis, resultando em "incêndios de grandes proporções e extensos danos adicionais". Este é o segundo ataque iraniano contra infraestrutura energética da monarquia árabe, aliada dos Estados Unidos na região, em menos de 48 horas.
O primeiro ataque ocorreu na quarta-feira (18) contra a refinaria de Ras Laffan, também causando "danos extensos" segundo a empresa catariana. A nova ofensiva aconteceu após Trump revelar que Israel foi responsável pelos ataques contra o campo de gás South Pars e advertir que Tel Aviv não faria novos ataques "a menos que o Irã, imprudentemente, decida atacar um país inocente, nesse caso, o Catar".
Em uma publicação em rede social, o presidente norte-americano foi categórico: "Nessa situação, os EUA, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, explodirão massivamente a totalidade do campo de gás de South Pars com uma força e potência jamais vistas ou testemunhadas pelo Irã". Trump acrescentou que não quer autorizar esse nível de violência, "mas se o GNL do Catar for atacado novamente, não hesitarei em fazê-lo".
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Seyyed Abbas Araghchi, advertiu nesta quinta-feira que o Irã não demonstrará mais contenção se suas infraestruturas forem alvejadas novamente. "Nossa resposta ao ataque de Israel à nossa infraestrutura empregou uma fração de nosso poder. A única razão para a contenção foi o respeito ao pedido de desescalada. Nenhuma restrição caso nossas infraestruturas sejam atingidas novamente", afirmou o diplomata.
O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) também emitiu um comunicado alertando que atacar as instalações energéticas do Irã foi um grave erro de cálculo. "Caso tal ato se repita, ataques subsequentes contra as redes energéticas tanto do agressor quanto de seus aliados persistirão até que sejam completamente destruídas, com uma resposta que excederá em muito a intensidade das operações anteriores", diz o texto.
Após os ataques contra o campo de gás South Pars, o Irã já havia ameaçado cinco instalações de processamento de petróleo e gás no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. Esta escalada de conflito tem impactado diretamente o mercado global de energia, com os preços do petróleo registrando altas significativas nas últimas horas.
O cenário de tensão ocorre em paralelo a outras crises internacionais. Na Ucrânia, as negociações de paz estão paralisadas em meio ao conflito, enquanto a Argentina manifestou disposição para enviar militares caso os Estados Unidos solicitem apoio. A situação no Golfo Pérsico preocupa especialistas em geopolítica, que alertam para o risco de uma expansão do conflito para outros países da região.
A comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos, enquanto as partes envolvidas trocam acusações e ameaças. O preço do barril de petróleo, que já vinha pressionado por diversos fatores geopolíticos, tende a permanecer volátil enquanto persistirem as tensões na principal região produtora de energia do mundo.

