O litoral do Paraná experimentou um verdadeiro boom de investimentos em 2025, com um volume de recursos que surpreendeu até os mais otimistas. Dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Água e Terra (IAT) revelam que a região recebeu R$ 1,6 bilhão em investimentos públicos e privados ao longo do ano passado, um montante impressionante que representa um salto de 246% em relação aos R$ 474,8 milhões movimentados em 2024. O balanço faz parte de um levantamento mais amplo que mostra que as licenças ambientais emitidas pelo órgão injetaram R$ 19,6 bilhões na economia paranaense como um todo.

Os números não são apenas expressivos, mas também refletem uma mudança significativa no perfil econômico da costa paranaense. De acordo com o relatório do IAT, autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), o setor que mais rentabilizou foi o de armazenamento e atividades auxiliares dos transportes, com R$ 621,3 milhões. Em seguida, aparecem a gestão de portos e terminais, com R$ 337,9 milhões, e a indústria química, com R$ 298 milhões. Esse ranking evidencia, em grande parte, a robustez e o dinamismo da Portos do Paraná, que em 2025 alcançou o maior crescimento do país, com 73,5 milhões de toneladas transportadas.

Mas não são apenas os grandes empreendimentos logísticos e industriais que movimentam a economia litorânea. O licenciamento ambiental também abriu caminho para uma série de novos restaurantes, pousadas e empreendimentos comerciais, diversificando a oferta turística e de serviços na região. Para Altamir Hacke, chefe do escritório regional do IAT no litoral, a eficiência na operação de licenciamento é um pilar fundamental para o desenvolvimento sustentável. "Ao realizamos uma análise com segurança técnica e jurídica, estamos apoiando a transformação das cidades do litoral, impactando diretamente na vida das pessoas. O licenciamento ambiental promove o crescimento ordenado, com o estabelecimento de condicionantes para que o impacto ambiental proveniente da atividade seja o menor possível", afirma Hacke. Ele ainda complementa: "O licenciamento também regulariza os empreendimentos existentes, com controle técnico e excelência ambiental".

Publicidade
Publicidade

Quando se observa a distribuição dos investimentos por municípios, fica claro quem lidera a fila da movimentação econômica. Paranaguá, principal porto do estado, concentrou sozinha a impressionante cifra de R$ 1,3 bilhão. Na sequência, aparecem Morretes (R$ 80 milhões), Pontal do Paraná (R$ 71,3 milhões), Matinhos (R$ 59 milhões), Antonina (R$ 51,1 milhões), Guaratuba (R$ 40 milhões) e Guaraqueçaba (R$ 16,6 milhões). Everton Souza, diretor-presidente do IAT, vê nesses números o reflexo de uma política estadual deliberada. "São ações que o Governo do Estado tem promovido, direta ou indiretamente, para levar benfeitorias e infraestrutura ao litoral do Paraná. E, claro, isso se reflete na melhoria da qualidade de vida dos paranaenses, especialmente os que moram na região", destaca.

Por trás de toda essa movimentação, há um trabalho minucioso de análise e fiscalização. Mais de 60 servidores do IAT atuaram diretamente na análise dos protocolos e na emissão das autorizações ambientais. Os processos não são meras formalidades; eles envolvem exigências específicas de mitigação de riscos, como a implantação de sistemas de controle de emissão de particulados, enclausuramento de áreas de armazenamento, varrição e aspiração de resíduos sólidos e tratamento de efluentes pluviais. Para João Henrique Dantas, engenheiro químico do IAT e um dos responsáveis pelos pareceres técnicos, a preocupação ambiental é a peça-chave. "A fiscalização ambiental deve ser feita de forma criteriosa, responsável, atenta às respostas que o meio ambiente entrega em processo de contaminação, sempre avaliando caso a caso e o que consta licenciado", ressalta.

O compromisso com o meio ambiente não termina com a emissão da licença. O IAT deixa claro que o cumprimento das condicionantes ambientais será acompanhado de perto por meio de fiscalizações periódicas. O objetivo é assegurar que todos os controles exigidos sejam mantidos não apenas durante a fase de construção, mas ao longo de toda a operação dos empreendimentos. É um ciclo que busca conciliar o desenvolvimento econômico acelerado com a preservação do patrimônio natural do litoral paranaense, uma das regiões mais belas e ecologicamente sensíveis do Brasil.