O interior de São Paulo vivenciou uma redução de 5,1% nos casos de estupro no mês de outubro, um resultado que, embora modesto, é visto com otimismo pelas autoridades. De acordo com dados da Polícia Civil, foram registradas 795 ocorrências neste ano, contra 838 no mesmo período de 2024. Essa queda é atribuída a ações articuladas das forças de segurança e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas para o acolhimento das vítimas, em um esforço contínuo para combater crimes de violência sexual.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher de São Paulo, Adriana Liporoni, destacou a importância dessa diminuição. "Em um cenário nacional em que crimes contra a dignidade sexual ainda desafiam autoridades, qualquer percentual menor nas estatísticas criminais é, sim, motivo para nos dar um certo alívio. Não olhamos apenas para os números, mas para o fato de que pelo menos uma vítima deixou de passar por um trauma tão grande e intenso", afirmou. Sua fala ressalta que, além dos dados quantitativos, o impacto humano é fundamental, com cada caso evitado representando uma vida poupada de sofrimento.
Entre as regiões do interior, o Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter) 10, sediado em Araçatuba, registrou o menor número de ocorrências, com apenas 31 casos. Em seguida, aparecem o Deinter 8, de Presidente Prudente, com 38 registros, e o Deinter 6, de Santos, com 66. Esses números mostram variações locais, mas a tendência geral aponta para uma melhora gradual, incentivada por iniciativas de prevenção e resposta rápida.
Paralelamente, os dados sobre feminicídio no interior paulista apresentam um cenário misto. Em outubro deste ano, as Delegacias de Defesa da Mulher registraram 15 casos, um aumento em relação aos 11 ocorridos no mesmo mês de 2024. Esse contraste evidencia a complexidade do combate à violência de gênero, onde avanços em uma frente podem coexistir com desafios em outras, exigindo estratégias multifacetadas.
O monitoramento constante dos registros criminais tem sido uma ferramenta chave para orientar as políticas públicas. Entre as iniciativas implementadas pelo Governo de São Paulo, destaca-se a Cabine Lilás, um serviço da Polícia Militar que oferece atendimento especializado a vítimas de violência doméstica, realizado exclusivamente por policiais mulheres. Essa abordagem garante um acolhimento mais sensível e respostas ágeis via telefone de emergência 190, facilitando o acesso à ajuda imediata.
Outra inovação é o aplicativo SP Mulher Segura, que permite às vítimas registrar boletins de ocorrência, acionar viaturas e até usar um botão do pânico em situações de risco, como descumprimento de medidas protetivas. Essa tecnologia amplia a proteção, especialmente em contextos onde a violência doméstica persiste, oferecendo uma via discreta e eficaz para buscar socorro.
Além disso, as Salas Lilás do IML proporcionam ambientes reservados e equipes treinadas para a realização de exames de corpo de delito, assegurando mais privacidade e suporte psicológico às vítimas durante procedimentos que podem ser revitimizantes. Essas salas são parte de uma rede expandida que inclui 142 Delegacias de Defesa da Mulher no estado, sendo 18 delas funcionando 24 horas por dia, e 170 Salas DDM que permitem atendimento especializado por videoconferência, garantindo acesso mesmo em locais remotos.
A Polícia Civil reforça que a denúncia é a principal ferramenta para romper ciclos de violência e prevenir novos crimes. No entanto, a subnotificação permanece como um dos maiores obstáculos no enfrentamento aos crimes sexuais, com muitas vítimas ainda relutantes em buscar ajuda devido a medo, vergonha ou falta de informação. "Quando a vítima procura ajuda, conseguimos agir, investigar, proteger e evitar que outros casos aconteçam", completou a coordenadora das DDMs, enfatizando a importância de campanhas de conscientização e da construção de confiança nas instituições.
Em resumo, a queda nos casos de estupro no interior paulista reflete um esforço coletivo que combina repressão policial, inovações tecnológicas e suporte humanizado. Embora os desafios persistam, como o aumento nos feminicídios, cada avanço simboliza um passo em direção a uma sociedade mais segura e acolhedora para as mulheres, onde a dignidade e a integridade são prioridades absolutas.

