O saguão do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, foi tomado por emoção na noite desta segunda-feira (1º). Após um semestre letivo na Austrália, 29 alunos da rede estadual do Paraná, participantes do programa de intercâmbio estudantil Ganhando o Mundo, desembarcaram no estado e foram recebidos por familiares e amigos com faixas, bandeiras e muita festa. Os jovens, com idades entre 15 e 18 anos, trouxeram na bagagem não apenas saudade de casa, mas experiências e aprendizados que prometem transformar suas vidas.

"Sem dúvidas, o Ganhando o Mundo é um dos programas mais transformadores da educação pública do Paraná. Ficamos orgulhosos em ver como os meninos e meninas voltam do intercâmbio com muito mais autonomia, independência, domínio da língua inglesa e conhecimentos que vão levar para toda a vida", destacou o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. O programa é considerado o maior intercâmbio estudantil para escolas públicas da América do Sul, com todas as despesas custeadas pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR).

Os reencontros foram marcados por lágrimas e abraços apertados. A farmacêutica Kelly Cristine Beltrame aguardava ansiosa a filha Cecília, que completou 17 anos durante a estadia em Hobart, na ilha australiana da Tasmânia. "Ela nunca tinha ficado tanto tempo longe da gente, então, para mim, também foi uma experiência diferente e nova. Ao mesmo tempo, eu sempre quis muito que ela fosse, para conhecer novas culturas e aprimorar o inglês. Então, essa oportunidade foi uma grande porta que se abriu para ela", relatou a mãe.

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Para Cecília, estudante do Colégio Estadual Pedro Macedo, em Curitiba, a saudade foi um desafio, mas a experiência trouxe crescimento. "No começo, é muito difícil, porque você não está acostumada a fazer tudo sozinha. Com o tempo, fui aprendendo a lidar melhor com isso e com a saudade também. Hoje, me sinto mais responsável e mais confiante para ter a iniciativa de fazer as coisas sozinhas", afirmou.

Outro momento emocionante foi o reencontro surpresa de João Pedro de Mattos, de 17 anos, com a família. Sem saber que os pais e a irmã haviam percorrido quase 400 quilômetros de Ariranha do Ivaí, no Vale do Ivaí, até o aeroporto, o jovem se emocionou ao vê-los. "Eu sempre vivi em uma zona de conforto, em cidade pequena. Então, o impacto, para mim, foi muito grande. Consegui trazer experiências e novas habilidades na bagagem, que posso aplicar na minha comunidade para ajudá-la também", projetou João Pedro, que fez intercâmbio em Perth.

Sua mãe, Joyce de Mattos, professora de Matemática e Geografia na rede estadual, comemora a transformação do filho. "Vejo ele mais maduro e mais independente. Acho que vou encontrar um outro João Pedro, com certeza, mudado para melhor. Foi uma experiência única, que talvez nós não poderíamos proporcionar, mas que o Governo do Estado está proporcionando, não só para ele, mas para muitos estudantes", comentou.

O retorno ao Brasil não significa o fim da jornada. Os intercambistas continuam recebendo acompanhamento da Seed-PR e são incentivados a desenvolver projetos de liderança em suas escolas, aplicando o conhecimento adquirido no exterior. "O aluno que retorna do intercâmbio é um aluno inquieto, questionador. E nós queremos que ele volte com essa mentalidade de líder, que identifique problemas, promova mudanças e sugira soluções, dentro de um projeto interdisciplinar que se aplica dentro do colégio", explicou o coordenador do programa, Marlon de Campos Mateus.

Nos próximos dias, mais 246 estudantes retornam ao Paraná. Os demais intercambistas da Austrália desembarcam nos dias 5, 7, 15 e 25 de dezembro, enquanto os que estão na Irlanda voltam no dia 22. Os 50 participantes do Ganhando o Mundo Agrícola, que visitam os Estados Unidos, chegam em 23 de dezembro, e o grupo do Reino Unido finaliza o intercâmbio em janeiro de 2026, com desembarques previstos para os dias 3, 5, 10 e 18. Todos os voos têm conexão em Guarulhos (SP) antes de pousar no Afonso Pena.

O programa, implementado em 2022, visa aprimorar o repertório cultural e acadêmico dos estudantes, com foco no desenvolvimento da autonomia e liderança. A edição de 2026 será a maior da história, com 2 mil alunos distribuídos entre Canadá, Irlanda, Nova Zelândia, Reino Unido e Austrália, totalizando 4.540 beneficiados desde o início, com investimento superior a R$ 403,5 milhões. As despesas cobertas incluem desde passagens e hospedagem até auxílio mensal de R$ 800, garantindo acesso igualitário à experiência internacional.