Mais de 7 mil indígenas participantes do Acampamento Terra Livre, em Brasília, realizaram uma marcha na tarde desta quinta-feira (9), a partir das 14h. O grupo percorreu o trajeto do Eixo Monumental até a Esplanada dos Ministérios para entregar um documento com reivindicações ao governo federal. Entre as principais demandas está a exclusão da exploração de petróleo e gás em territórios indígenas, tema que ganhou destaque após a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em 2025 em Belém (PA).

O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinaman Tuxá, explicou que a proposta indígena busca influenciar políticas públicas nacionais e internacionais. "Como foi uma proposta do governo brasileiro para a construção do mapa do caminho e o desmatamento zero e também para a não exploração de petróleo e gás, nós estamos apresentando algumas propostas ao governo para ser incluída no texto", afirmou Tuxá. O Mapa do Caminho para afastamento da economia dependente de combustíveis fósseis, uma das prioridades do governo brasileiro, não entrou na lista de consensos da COP30, mas recebeu apoio oficial de representantes ministeriais de mais de 80 países.

O documento elaborado pelas lideranças indígenas será entregue ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e a outros órgãos do Poder Executivo. "Nós vamos entregar documentações nos ministérios dos Povos Indígenas, do Meio Ambiente, da Agricultura e Pecuária, e no Itamaraty", detalhou o coordenador da Apib. Além da questão energética, as reivindicações incluem pedidos por mais demarcações de terras e outras políticas públicas voltadas para os povos originários.

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O Acampamento Terra Livre, maior mobilização indígena do país, ocorre em um contexto de tensão com o Congresso Nacional. Organizações indígenas têm acusado parlamentares de desrespeitar direitos constitucionais, e há cobranças pela criação de uma comissão para apurar crimes cometidos contra indígenas durante a ditadura militar. Paralelamente, em Brasília, artesãos indígenas têm usado suas obras como forma de resistência cultural, destacando a diversidade e a força das tradições.

A marcha desta quinta-feira simboliza a pressão contínua dos movimentos indígenas por participação ativa nas decisões que afetam seus territórios e modos de vida. Com a COP30 colocando o Brasil no centro do debate climático global, as demandas por proteção ambiental e respeito aos direitos indígenas ganham relevância ainda maior, mostrando que a luta por soberania territorial está intrinsecamente ligada à agenda de sustentabilidade do país.