Com uma história que acompanha a própria evolução da medicina no Paraná, o Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSP) se prepara para completar 100 anos de fundação em outubro de 2026. Localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, a instituição gerida pela Funeas e mantida pelo Governo do Estado se consolidou como polo estratégico de formação profissional e atendimento humanizado, recebendo pacientes de todas as macrorregiões paranaenses.
O HDSP se destaca como referência regional, prestando serviços de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dermatologia, hanseníase, cirurgia vascular e tratamento de feridas complexas. Sua área de abrangência engloba 56 municípios das 1ª, 2ª, 3ª e 6ª Regionais de Saúde. Atualmente, o hospital conta com 27 médicos especialistas, 12 residentes em dermatologia e um total de 210 colaboradores, incluindo equipe multiprofissional e setores de apoio.
A instituição desempenha papel essencial não apenas no tratamento clínico, mas também na reabilitação e no apoio psicossocial dos pacientes de hanseníase. Desde 2023, o hospital se consolidou como centro de produção de conhecimento, promovendo um programa de residência médica em dermatologia autorizado pelo Ministério da Educação (MEC). São 3 anos de formação, totalizando 12 médicos residentes, com a primeira turma prevista para formatura em fevereiro deste ano.
"É o resultado de um trabalho contínuo, que atravessa gerações e acompanha a evolução das políticas públicas de saúde", afirma o secretário estadual da Saúde, Beto Preto. "Reconhecemos e agradecemos a todos os profissionais que ajudaram a construir essa trajetória. E o Governo do Estado segue investindo para fortalecer a unidade", destaca.
O secretário lembra que somente no último ano foram aplicados R$ 38,5 milhões no hospital, garantindo a manutenção dos serviços, a qualificação da assistência e a continuidade do atendimento à população. "Ao longo dos seus 100 anos, o Hospital de Dermatologia Sanitária reafirma o compromisso com a saúde pública, a dignidade humana e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde no Estado", enfatiza.
Em 2020, a unidade iniciou um novo ciclo assistencial com um processo de reestruturação que alterou seu perfil, passando de internações para atendimentos ambulatoriais. A iniciativa contempla a implementação de um Ambulatório de Multiespecialidades (AME), um centro de diagnóstico, medicina hiperbárica e um hospital-dia para cirurgias eletivas. Com investimento superior a R$ 38 milhões em reforma e adequação, a unidade amplia sua capacidade de 28 para 54 consultórios e passa a contar com centro cirúrgico com 2 salas, 12 leitos de hospital-dia, serviço de oxigenoterapia hiperbárica e centro de diagnóstico.
Os investimentos resultaram em aumento significativo nos atendimentos do hospital entre 2021 e 2025. Segundo a diretora-geral da instituição, Maristela Zanella, houve crescimento de cerca de 545% no total de atendimentos realizados no período. Em 2021, o hospital registrava aproximadamente 25.899 atendimentos anuais e, em 2025, esse número subiu para média de 167 mil atendimentos por ano - cerca de 13 mil atendimentos por mês.
O ambulatório de feridas é o maior do Estado do Paraná, atendendo em média 120 pacientes por dia somente neste setor, com equipe especializada em estomaterapia e utilização de coberturas especiais. "Descobri o câncer de pele e, seguindo a orientação médica, procurei um especialista em dermatologia. Desde então, passei por duas cirurgias para tratar a condição e atualmente sigo em tratamento contínuo aqui no Centro de Dermatologia. Estou muito satisfeita com o acompanhamento", disse Isabel, paciente da unidade. "Os atendimentos são ótimos, com profissionais atenciosos e qualificados, e tudo é muito organizado, desde a marcação de consultas até a realização dos procedimentos", elogiou.
A unidade foi fundada em 20 de outubro de 1926, como Hospital São Roque, dedicada ao tratamento da lepra, como era conhecida a hanseníase. Na época, o país enfrentava crise sanitária devido à falta de tratamento para a doença e as políticas de isolamento, como os hospitais colônias e leprosários. Em razão do isolamento compulsório, o hospital acompanhou as transformações nas políticas públicas de saúde e no conhecimento científico ao longo das décadas.
A unidade chegou a abrigar 1300 pacientes simultaneamente e funcionava como uma espécie de cidade, com prefeito, igreja, cinema, correio, cemitério e até uma cadeia. O modelo de isolamento foi superado, dando lugar ao atendimento ambulatorial, à humanização do cuidado e a ações voltadas à redução do estigma associado à doença, em consonância com as diretrizes do SUS.
Em 1983, quando foram descobertos os mecanismos de controle e cura da hanseníase, a unidade passou a ser gerida pela Secretaria de Estado da Saúde, deixando de ser um hospital colônia e passando a se chamar Hospital de Dermatologia São Roque. Em 1990, recebeu o nome atual de Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSP).
O trabalho da unidade é fundamental no enfrentamento da hanseníase, especialmente durante campanhas de conscientização como o Janeiro Roxo, mês dedicado ao tema. Em alusão ao Janeiro Roxo, o HDSP promoveu série de ações estratégicas focadas em educação permanente, capacitação de profissionais e informação à população.
Na terça-feira, 27 de janeiro, a equipe do HDSP participou de evento promovido pela 1ª Regional de Saúde em Pontal do Paraná, capacitando cerca de 50 profissionais da atenção primária à saúde. Já na quarta-feira, 28, a unidade realizou internamente o "Pipocando Informação", ação que chegou à sua quarta edição anual, utilizando recursos criativos para informar pacientes e colaboradores sobre os primeiros sintomas da hanseníase.
Para finalizar o calendário especial, nesta sexta-feira (30), o HDSP sedia capacitação global como parte do cronograma de educação permanente da unidade, envolvendo colaboradores de todas as áreas. O treinamento intensivo tem como objetivo aprimorar os conhecimentos técnicos sobre a hanseníase, facilitando a suspeição e o diagnóstico precoce, além de celebrar os cem anos de história do HDSP.
A hanseníase é doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Com tratamento adequado, é possível evitar sequelas e interromper a transmissão da doença.

