A rede pública de saúde de São Paulo deu um passo importante na direção da sustentabilidade. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) acaba de obter a certificação internacional de construção sustentável AQUA-HQE para cinco hospitais públicos estaduais. O selo atesta a adoção de práticas sustentáveis e de alta qualidade ambiental nas unidades hospitalares, colocando a infraestrutura de saúde paulista em patamar internacional.
Conquistaram o reconhecimento o Hospital Estadual Três Colinas, em Franca, que está em fase final de contratação de profissionais e aquisição de equipamentos para inauguração; e o Hospital Regional Circuito da Fé, em Cruzeiro, inaugurado em fevereiro deste ano. As duas unidades se juntam a um movimento que começou em 2013, quando a SES-SP iniciou o processo de certificação de suas obras.
Já haviam recebido o selo anteriormente as obras do Instituto Emílio Ribas (referente à fase 1 do retrofit), o Hospital Regional de Registro e o Hospital Regional do Litoral Norte – este último contemplando as três etapas da certificação: pré-projeto, projeto e obra.
Segundo Maria Cristina Gomes Jotten, diretora do Grupo Técnico de Edificações da SES, "a aderência dos nossos projetos à certificação AQUA-HQE trouxe, além dos benefícios diretos como eficiência energética, racionalização do uso da água, qualidade do ar, gestão de resíduos e humanização dos ambientes, entre outros aspectos dentre os 13 itens avaliados pelo programa, a elevação do padrão de qualidade dos nossos hospitais, por meio da auditoria que ocorre ao longo de todo processo, desde a etapa de desenvolvimento dos projetos até o término execução das obras".
Além dessas cinco unidades já certificadas, o selo está sendo aplicado em dois novos hospitais que estão em fase de obras: o Hospital Regional do Alto Paranapanema, em Itapetininga, e o Hospital Regional Alto Noroeste, em Birigui. Isso demonstra que a política de sustentabilidade na construção de hospitais públicos em São Paulo está se consolidando como padrão.
A certificação AQUA-HQE é um referencial internacional de construção sustentável, derivado da francesa HQE e aplicado no Brasil pela Fundação Vanzolini. Os critérios foram adaptados à realidade nacional em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), considerando aspectos climáticos, culturais e normativos brasileiros. O modelo adota uma abordagem ampla, que abrange qualidade de vida, respeito ao meio ambiente, desempenho econômico, gestão e governança em todas as etapas do empreendimento.
Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o reconhecimento estimula construções mais eficientes, responsáveis e sustentáveis. Na prática, isso significa que os hospitais certificados consomem menos água e energia, geram menos resíduos e oferecem ambientes mais saudáveis para pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
A conquista reforça o compromisso com a sustentabilidade na rede pública de saúde, resultando em unidades mais eficientes no uso de recursos naturais, com menor impacto ambiental e melhores condições de funcionamento. Para os pacientes, isso se traduz em ambientes mais adequados para tratamento e recuperação, com melhor qualidade do ar, iluminação natural e conforto térmico.
A certificação também contribui para a melhoria da gestão hospitalar e para a valorização das unidades, assegurando uma relação mais transparente com a sociedade e ampliando a qualidade dos serviços prestados à população paulista. Em um momento em que a sustentabilidade se tornou imperativo global, a iniciativa da SES-SP mostra que é possível conciliar excelência em saúde com responsabilidade ambiental, criando hospitais que cuidam tanto das pessoas quanto do planeta.

