O preço da hospedagem na região metropolitana de Belém deu um salto impressionante de 178,93% no mês de novembro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O motivo por trás dessa explosão de custos é claro: a capital paraense se transformou na capital mundial das questões climáticas, sediando a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), de 10 a 22 de novembro, e a Cúpula do Clima, nos dias 6 e 7, que reuniu chefes de Estado e de governo.
O gerente da pesquisa de preços do IBGE, Fernando Gonçalves, confirma que a COP30 é a explicação direta para o fenômeno. "178% é realmente bem expressivo", avalia ele. A inflação da acomodação em Belém ficou muito acima da registrada no Brasil como um todo em novembro, que foi de 4,09%. Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a prévia da inflação oficial do país, que fechou novembro em 0,18%, voltando para o limite da meta do governo.
Os valores cobrados pelos donos de quartos em Belém foram uma das grandes preocupações dos organizadores da COP30. A situação chegou a um ponto em que algumas delegações internacionais diminuíram o envio de representantes devido aos custos elevados. Gonçalves esclarece que o aumento registrado no IPCA de novembro se refere especificamente ao custo naquele mês, não incluindo gastos com hospedagens pagas antecipadamente.
Além da hospedagem, outro custo que se destacou em Belém em novembro foi o da passagem aérea, que subiu 25,32%, mais que o dobro da alta do país como um todo (11,90%). O gerente do IBGE acrescenta que o fato de o mês ter tido três feriados – Finados, Proclamação da República e Consciência Negra – e a chegada do fim do ano também podem ter exercido pressão de alta no preço do bilhete de avião.
De acordo com a metodologia do IPCA, a inflação na região metropolitana de Belém tem um peso de 3,94% na inflação do país. Em comparação, a Grande São Paulo tem o maior peso, de 32,28%. Isso significa que, se o impacto no preço das hospedagens fosse em São Paulo, o resultado seria muito mais sentido na inflação geral do Brasil. "Belém teve uma pressão na inflação [nacional], mas não tão expressiva, por exemplo, como se fosse São Paulo", diz Fernando Gonçalves.
Enquanto isso, outras notícias econômicas chamam a atenção: petroleiros aprovaram uma greve nacional a partir de segunda-feira, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a fusão entre Petz e Cobasi com restrições, e a inflação da comida em casa caiu 0,2% em novembro, marcando o sexto recuo seguido. O cenário em Belém, no entanto, mostra como eventos globais de grande porte podem causar distorções significativas nos preços locais, com efeitos que reverberam nas estatísticas nacionais.

