Estamos sendo bombardeados com debates sobre o uso da inteligência artificial: como ela impacta nossa cognição, qual o futuro do trabalho, listas e listas de empregos que vão acabar. As transformações são inegáveis, mas ao passo que funções morrem outras nascem. A pergunta é: que mudança é essa? Conseguimos conviver com ela sem parecer o fim dos tempos (analógicos)?

Quando a fotografia surgiu, achamos que a pintura ficaria reservada aos museus. Nossa percepção era de que éramos dominados pelas máquinas. Vilém Flusser, filósofo tcheco do século XX, escreveu que nossa relação com máquinas era "um jogo de Xadrez". Era o mistério da Caixa Preta. Uma tecnologia quase mágica. Para ele, as imagens fotográficas abalariam até a escrita (ele dizia que havia uma crise do texto, a textolatria). O tempo foi passando e, apesar da sua inegável importância, a gente vê que o cenário de crise é um pouco diferente.

E a história se repete: o surgimento da televisão, em algum momento foi ameaça para o cinema; as notícias em tempo real, matariam o jornal impresso (ok, esse vive em crise, sabemos, mas morrer é forte.); o podcast mataria o rádio, mas o que vimos foi o rádio cada vez mais nichado e o podcast com outra liberdade criativa; Até os matemáticos, tinham medo das calculadoras eletrônicas, mas elas são inegavelmente insubstituíveis.

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Para não dizer que nenhuma tecnologia ficou obsoleta: não temos mais a datilografia, só para os escritores hipsters e uma vibe analog que está se popularizando no Tik Tok....