Artistas de todo o Brasil têm até o dia 23 deste mês para enviar poesias inéditas que protestem contra o machismo e abordem a conscientização no enfrentamento à violência contra a mulher. As obras serão selecionadas para compor o livro coletivo Hip-Hop pelo Fim do Feminicídio, que reunirá 50 textos e será lançado no dia 30 de maio.
A iniciativa é do Instituto Periferia Livre em parceria com o Instituto Transforma, o Núcleo de Estudos, Organização e Difusão do Conhecimento em Literatura Marginal (Neolim) e a Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop DF. De acordo com a educadora popular Eulla Yaá, uma das organizadoras, a circulação da publicação será nacional. "A ideia é motivar as linguagens e potências do hip hop como forma de denúncia, resistência e valorização da vida das mulheres", explicou.
Eulla ressaltou que podem participar pessoas de todas as idades, mas terão prioridade na publicação os trabalhos de mulheres cis, trans e travestis. "Cada pessoa pode enviar uma poesia de autoria própria e sem uso de inteligência artificial", disse a organizadora. Ela defendeu que a arte também é uma forma de luta contra o feminicídio, com significado de prevenção e de conscientização.
As inscrições devem ser feitas por meio de um formulário online, onde também é feito o envio do poema. Segundo as entidades, a coletânea pretende reunir produções artísticas que contemplem estéticas, linguagens e potências do hip hop como ferramenta de denúncia, resistência e enfrentamento às violências de gênero.
O Instituto Periferia Livre, que também é responsável pela Casa da Mulher no Hip Hop do Distrito Federal, oferece cursos e oficinas profissionalizantes, além de apoio psicológico e orientação jurídica. O livro faz parte desse trabalho de sensibilização, que ganha ainda mais relevância em um contexto de alerta nacional sobre a violência contra a mulher.
Notícias recentes ilustram a urgência do tema: a Justiça enviou o caso de uma PM baleada na cabeça para a vara de feminicídio; mulheres se reuniram em Copacabana contra a violência e o feminicídio; e o Brasil pediu à Organização Mundial da Saúde (OMS) a inclusão do feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID).
Para os organizadores, a arte do hip hop, com sua tradição de crítica social e engajamento, é uma aliada poderosa nessa luta. A expectativa é que o livro não apenas dê voz às vítimas e sobreviventes, mas também mobilize a sociedade para um debate necessário sobre o fim da violência de gênero.

