O governo federal lançou nesta quinta-feira (11) um painel de monitoramento de agrotóxicos nos recursos hídricos, com dados coletados em diversas bacias hidrográficas do país. A iniciativa, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tem como objetivo identificar e divulgar o grau de presença desses pesticidas na vida aquática, promovendo maior transparência e auxiliando na formulação de políticas públicas.

De acordo com o MMA, o painel reúne informações como a quantidade de pontos de monitoramento distribuídos em todos os estados brasileiros, o número de agrotóxicos rastreados, percentuais de detecção e outros detalhes. Atualmente, 49 tipos de agrotóxicos são monitorados, mas a previsão é que esse número aumente com o tempo.

Durante o lançamento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou que os agrotóxicos representam um dos grandes desafios ambientais e sanitários do mundo, impactando organismos aquáticos, polinizadores, o solo e os seres humanos. "Esse é um tema que nós temos que trabalhar com muita responsabilidade, porque o Brasil é uma potência agrícola global, mas sabemos que, no século XXI, a competitividade e sustentabilidade não podem mais caminhar separadas. Produzir alimentos exige também proteger as águas, bioinsumos, os territórios e a saúde humana", afirmou.

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A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) pelo MMA, com base no monitoramento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "Após mais de uma década de mobilização de pesquisadores, movimentos sociais, órgãos e setores comprometidos com a transição ecológica da agricultura, o Pronara recoloca o Brasil em uma trajetória estratégica para redução de risco e fortalecimento da agroecologia que deixou de ser uma coisa de bicho grilo e passou a ser uma coisa amplamente comprovada de sucesso e de bons resultados e promoção de sistemas produtivos mais sustentáveis", defendeu Capobianco.

O ministro frisou que o painel está em fase inicial de consolidação. Os dados iniciais mostram que foram realizadas mais de 10 mil análises de agrotóxicos, com uma frequência de detecção de 7,2%. O S-Metolacloro foi o agrotóxico que mais apareceu, tendo sido observado em 69,48% das amostras.

Capobianco também ressaltou que, antes do lançamento, as informações sobre monitoramento de agrotóxicos estavam fragmentadas, dificultando a tomada de decisão. "Os dados existiam, mas estavam dispersos, dificultando a análise integrada e a formulação de políticas públicas consistentes. Estamos agora oferecendo à sociedade brasileira uma plataforma pública de transparência e inteligência ambiental que permitirá acompanhar tendências, identificar riscos, orientar ações preventivas e corretivas", concluiu.